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Outubro Rosa: mulheres que enfrentaram o câncer são exemplos de superação

Está em evidência a campanha Outubro Rosa, movimento que visa à conscientização sobre a importância de um diagnóstico precoce e da prevenção contra o câncer de mama. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), depois do câncer de pele não melanoma, o de mama é o tipo mais comum da doença entre as mulheres no Brasil e no mundo, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano. Estimativas do INCA apontam que, para o biênio 2016-2017, o número de novos casos de câncer de mama no país chegue a 57,9 mil.

A dolorosa batalha contra o câncer pode ser mais difícil quando não se tem apoio e recursos financeiros. Dados do INCA apontam que nos próximos quatro anos o câncer poderá se tornar a principal causa de morte entre os brasileiros, tendo em vista que atualmente a doença já é a segunda que mais mata no país. Segundo a instituição, o câncer de mama pode ser detectado em fases iniciais, em grande parte dos casos, aumentando assim as chances de tratamento e cura.

Todas as mulheres, independentemente da idade, podem conhecer seu corpo para saber o que é e o que não é normal em suas mamas. A maior parte dos cânceres de mama é descoberta pelas próprias mulheres. O surgimento do câncer de mama está relacionado a diversos fatores, como histórico familiar, obesidade, sedentarismo, consumo de bebida alcoólica, entre outros. Mas, segundo o INCA, a adoção de alguns hábitos saudáveis pode reduzir em até 28% o risco de desenvolver a doença. Por isso, é essencial ter uma alimentação balanceada, praticar exercícios físicos regulares, reduzir o consumo de álcool e não fumar.

Núcleo do Câncer de Manhuaçu

Além da fragilidade física provocada pelo câncer, a parte psicológica também pode sofrer danos irreparáveis. Em Manhuaçu, um local possibilita um acolhimento voltado mais para o lado humano em relação as pessoas que possuem a doença, trata-se do Núcleo de Voluntários de Assistência aos Cancerosos Carentes de Manhuaçu.

A entidade foi criada em 29 de novembro de 1984, através da iniciativa de um grupo de mulheres empenhadas em auxiliar pacientes com câncer e que são carentes de recursos financeiros, informações, e de esperança, além de fornecer orientações a familiares dos pacientes.

A secretária do Núcleo do Câncer de Manhuaçu, Karla dos Santos Cunha, explica que a instituição proporciona auxílio para deslocamento dos pacientes até os centros de tratamento, fornece cestas básicas e roupas e agasalhos, e presta serviços fornecidos por voluntários que também buscam fomentar a melhoria dos atendimentos prestados as pessoas com câncer.

Os trabalhos do Núcleo do Câncer de Manhuaçu são incessantes e para isso a entidade conta a contribuição da população através de doações e de carnês que são distribuídos mensalmente aos interessados em auxiliar o trabalho voluntário. Karla dos Santos informa que a Prefeitura também contribui com os trabalhos da instituição através do pagamento de aluguel e conta de luz. “Como toda entidade filantrópica as dificuldades sempre aparecem visto que o trabalho para manter uma unidade beneficente exige a colaboração da população. E uma situação que estamos precisando é envolver pessoas que possam contribuir através do carnê mensal. Aos interessados em fazer doações ou ser um voluntário do Núcleo do Câncer de Manhuaçu, o endereço de contato é rua Reverendo Antônio Godoy, 48, Bairro Centro e o telefone é o (33) 3331-8080”.

Ouça a entrevista com  Joaquina Valentim

Exemplos de superação

Nos momentos difíceis na vida, às vezes, o que é mais necessário, é uma mão amiga que possa auxiliar em atividades muito simples. Uma carona, um prato de comida, uma cama quente e a doação de uma peça de roupa parecem exemplos manjados, mas para quem passa pelo tratamento de um câncer, isso pode ser vital durante o processo, conforme explica Joaquina Valentim, de 57 anos. “Eu vim para o Núcleo quando estava em uma fase difícil da minha vida. Já tem 30 anos que luto contra a doença. Passei por 16 cirurgias e coloquei vários implantes. Procuro a instituição porque ela dá apoio através de psicóloga e profissionais da saúde, que nos ajudam bastante”, conta.

Ouça a entrevista com Fátima da Conceição Freitas da Mata

Joaquina Valentim já teve câncer de útero, ovário, trompas, fez uma cirurgia na mama – retirou um nódulo, mas não perdeu o seio, e posteriormente teve um câncer no dedo. Apesar das situações que podem parecer adversas, Joaquina Valentim se mostra disposta e confiante de que tudo dará certo. E para isso ela destaca o empenho e dedicação dos profissionais que atuam no Núcleo do Câncer. “É um local que oferece condições para uma assistência em saúde efetiva e me ajudou a evitar uma depressão”, salienta.

Fátima da Conceição Freitas da Mata, de 63 anos, conta que já teve um câncer de intestino há 20 anos – tratado e curado na Unicamp, em Campinas (SP), e no final de 2015 apareceu um câncer de mama. Ela foi encaminha para a Fundação Cristiano Varella, em Muriaé, e conta que foi recebida e tratado com maior cuidado. Através das indicações de amigos e profissionais da saúde descobriu o Núcleo do Câncer de Manhuaçu. “Temos aqui muitas possibilidades que nos tornam melhores do que somos. Eu não sou manhuaçuense, estou na cidade há praticamente dois anos. E o motivo de estar aqui é simplesmente por ter acesso ao tratamento da doença e ao Núcleo do Câncer de Manhuaçu, que é uma casa abençoada por nos acolher e proporcionar alegria em detrimento das situações tristes pela qual estamos passando. Agradeço a Deus e a todos os voluntários da instituição pelo trabalho desenvolvido junto à comunidade”, pontua.

Indicador da doença

O principal sinal que o câncer de mama dá é o surgimento de um nódulo fixo e, na maioria das vezes, indolor, na mama, axila ou pescoço. Segundo o oncologista e integrante da diretoria da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Dr. Gilberto Amorim, este nódulo está presente em aproximadamente 90% dos casos de câncer de mama. Além disso, de acordo com o médico, pode também apresentar vermelhidão na pele, retração, alteração no mamilo, e saída de líquido anormal das mamas. “A consulta médica é fundamental para analisar com precisão o motivo da manifestação de qualquer um destes sintomas”, alerta. Para entender melhor a doença, o especialista explica que existem dois tipos de câncer de mama, sendo o mais comum o que se origina nas células dos ductos mamários, por onde passa o leite materno. Outro tipo, menos comum, é o que tem origem nas células dos lóbulos mamários.

Exames

Para detectar precocemente o câncer de mama, o Ministério da Saúde indica que mulheres entre 50 e 69 anos realizem a mamografia a cada dois anos. No entanto, segundo a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a recomendação é de que o rastreamento mamográfico deva começar aos 40 anos. “Existe essa indicação devido ao fato de que no Brasil a média de idade é menor do que em alguns países desenvolvidos como os EUA, por exemplo”, explica o especialista Dr. Gilberto Amorim. A mamografia possibilita que o câncer seja encontrado ainda em sua fase inicial e assim seja realizado um tratamento menos agressivo. Isso ainda reduz significativamente as chances de morrer em decorrência da doença. Outra atitude que a mulher deve tomar é o autoexame das mamas. Porém, o oncologista alerta: “Essa é uma prática importante, mas secundária, pois quando o tumor atinge o tamanho suficiente para ser palpado, já não está mais no estágio inicial”.

Danilo Alves

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