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Campanha alerta para o diagnóstico precoce do câncer de próstata

Deixando para trás as luzes cor-de-rosa e a campanha de conscientização do câncer de mama, em novembro o foco está nos homens. O “Novembro Azul”, ou “Movember” é uma campanha realizada por diversas entidades que busca a conscientização e prevenção ao câncer de próstata. O movimento surgiu na Austrália em 2003, aproveitando o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, que acontece dia 17 de novembro. O nome em inglês, “movember” se relaciona com a tradição de deixar crescer o bigode (moustache) durante este mês.

No Brasil, a cada 36 minutos, um homem morre vítima de câncer de próstata, segundo dados do Ministério da Saúde. A instituição ainda mostra que 14.484 homens morreram em decorrência da doença no país em 2015. O câncer de próstata é o 2º mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma), segundo o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). A taxa de incidência da doença é 6 vezes maior nos países desenvolvidos se comparados com os países em desenvolvimento, e a previsão é de que em 2017 ocorram 61.200 novos casos (INCA).

Ouça a entrevista com o médico urologista. Dr. Alfredo Canalini

Assim como acontece no Outubro Rosa, durante todo o mês de Novembro existe um esforço de mídia para informar a população sobre as principais doenças que acometem a população masculina, destacando as formas de detectá-la antecipadamente e ajudando a tirar o estigma dos exames que ajudam nas rotinas de check-up médico.

Ouça a entrevista com o médico urologista. Dr. Alfredo Canalini

“A campanha do novembro azul é extremamente importante. Os homens normalmente procuram o atendimento médico de rotina oito vezes menos que as mulheres. O novembro azul conscientiza e faz com que um número cada vez maior de homens procure por atendimento médico e realize exames de rotina não só para a neoplasia de próstata, mas também para diagnosticar e tratar outras doenças comuns com o envelhecimento, como hipertensão arterial e dislipidemias”, explica o secretário geral eleito da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), médico urologista. Dr. Alfredo Canalini.

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Apesar de todo o esforço da campanha, ainda é muito comum o preconceito sobre o exame para detecção do câncer de próstata – o tão temido exame de toque. “O toque retal é um procedimento rápido, que dura segundos, é praticamente indolor e não afeta em nada a masculinidade do homem. Ele deve ser realizado porque o antígeno prostático específico (PSA) não é eficaz sozinho na hora de detectar o câncer de próstata. Cerca de 20% dos casos diagnosticados ao toque retal podem acusar PSA normal ao diagnóstico”, alerta o especialista.

Para não se surpreender com o diagnóstico de câncer, o homem deve visitar o urologista anualmente. Com o exame de toque, o médico verifica a consistência da próstata, seu tamanho e se existem lesões palpáveis. Em caso de suspeita de câncer, é solicitado o exame de PSA. “Independentemente da visita ao médico, é importante que o homem tenha alguns cuidados de prevenção, como manter uma dieta saudável e uma rotina de exercícios físicos”, aconselha Dr. Alfredo Canalini. “Manter o peso dentro dos padrões normais precisa ser prioridade”, complementa.

O câncer de próstata é o sexto tipo mais comum de câncer e o mais prevalente em homens, representando em torno de 10% do total de casos da doença. Cerca de 70% dos cânceres de próstata são diagnosticados em homens com mais de 65 anos. Um dos grandes desafios da medicina neste quesito são os mitos, tabus e preconceitos que impedem que os homens cuidem de sua saúde e façam o exame de toque retal. “Se há alguns anos o câncer era recebido como sentença de morte, hoje é uma doença que pode ser tratada e curada, em grande parte dos casos, graças ao diagnóstico precoce e aos constantes avanços científicos. Para que o homem possa se beneficiar desses avanços, ele precisa ser pró-ativo e estar bem informado e sem preconceitos”, informa o médico urologista.

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Sobre o Câncer de Próstata

A detecção do câncer de próstata vem apresentando aumento em decorrência disseminação das técnicas de rastreamento em campanhas populacionais que conscientizam a população, derrubando tabus e preconceito. No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). Em valores absolutos, é o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalente em homens. Acomete a região periférica (externa) da próstata em 95% (por isso a importância de sempre realizar toque retal, pois alguns casos o PSA pode não se elevar), não comprimindo a uretra na fase inicial e com isso, não ocasionando sintoma algum. Quando sintomas urinários se manifestam e o diagnóstico é maligno, existe a grande possibilidade de já ter espalhado para outras partes do corpo como gânglios, ossos e pulmões. Nessa fase podem aparecer dores pelo corpo, dor no abdômen, perda de peso, anemia e sintomas urinários (quando órgãos do sistema urinário são acometidos).

Os fatores de risco que aumentam a probabilidade de tumor de próstata estão sendo estudados, sendo os principais: idade (quanto mais velho de 45 anos maior é o risco), histórico familiar (parentes diretos com tumor de próstata) e afro-descendentes. A rotina do check-up anual deve ser constante na vida dos homens acima dos 45 anos e 40 anos com fatores de risco para câncer de próstata, mesmo que não apresentem nenhum sintoma, pois se aumenta as chances de detecção precoce de tumores de próstata em fase inicial.

Nessa rotina realiza-se o exame digital da próstata (toque retal) associado ao PSA para que se obtenham melhores resultados na detecção precoce do tumor prostático, iniciando o tratamento antes que o câncer se dissemine e se torne incurável. Com a alteração em pelo menos um dos dois exames, procede-se a realização de biópsia da próstata para confirmação de do diagnóstico para iniciar o tratamento. “Portanto, se o homem está na idade indicada, mesmo sem sintomas, que não seja prejudicado por algo que acompanha a sua vida há muitos: a omissão. Não deixe o preconceito lhe causar mal, vença-o”, conclui o secretário geral eleito da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Dr. Alfredo Canalini.

Danilo Alves – Tribuna do Leste

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