A Polícia Civil deflagrou, na data desta quarta-feira, 03, a operação policial denominada “Mau Despacho”, visando coibir fraudes na emissão de documentos de veículos, em Carangola. Logo nas primeiras horas da manhã, agentes da 36ª Delegacia de Carangola, com o apoio de policiais da sede da 4ª Delegacia Regional de Muriaé (4ª DRPC), incluindo da Agência de Inteligência da 4ª DRPC, foram às ruas para cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão contra alvos suspeitos de envolvimento em esquema criminoso de emissão de documentos de veículos.
Segundo o delegado Regional de Muriaé, Dr. Alessandro Amaro da Mata um servidor da instituição foi enviado a Carangola para auxiliar no setor de trânsito da cidade, e o profissional acabou constatando algumas irregularidades que foram passadas para o Delegado de Carangola e, posteriormente, repassadas ao Delgado Regional de Muriaé. “Foi constado uma certa transferência de veículos novos supostamente de maneira fraudulenta. E sempre sendo realizadas através de dois despachantes e possivelmente com a participação de algum servidor. Diante da gravidade do caso eu chamei a delegada responsável juntamente com o pessoal da Inteligência da Regional para desenvolvermos um trabalho e instaurarmos imediatamente um inquérito para juntar provas e documentos que comprovavam a transferência fraudulenta. Diante dessa ação a gente solicitou mandados de busca e apreensão que culminou na prisão de dois despachantes e um policial civil e arrecadação para ser periciado e avaliado. A primeira impressão que nós tivemos é que este fato pode estar acontecendo também com as outras Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans) do estado de Minas Gerais e talvez de outros estados”, informou o delegado Regional de Muriaé.
A ação culminou na prisão de dois despachantes, de 33 e 53 anos, que tiveram seus escritórios vasculhados pelos policiais civis. Durante a ação, também foram recolhidos mídias e documentos com indícios de adulteração, que seriam posteriormente protocolados junto à Delegacia. Além do suspeito, também foi preso um investigador de 36 anos, suspeito de integrar e facilitar o esquema criminoso. Um dos despachantes chegou a confessar a prática que, segundo ele, teria rendido mais de R$ 5.500,00, desde janeiro de 2019. Segundo as investigações, que correm na 36ª Delegacia, com o apoio da Agência de Inteligência Policial da 4ª DRPC, despachantes estariam adulterando documentos para obter de maneira fraudulenta o CRLV e CRV de veículos de outros estados, visando o primeiro emplacamento.
O esquema poderia permitir aos falsários obter financiamentos junto a instituições financeiras e ainda atuar no segmento de clonagem de veículos, além de fomentar o mercado negro de furto e roubo de veículos, já que o que se pretendia era ter em mãos os documentos de porte obrigatório que, depois, serviriam para “esquentar” qualquer veículo com as mesmas características. Os despachantes foram encaminhados à unidade prisional.
Já o policial civil passou mal ao ser comunicado da prisão e precisou de atendimento médico de emergência, sendo posteriormente encaminhado para Belo Horizonte, na Unidade Prisional Especial da Polícia Civil, onde também ficará à disposição da Justiça. Em relação ao policial civil, Dr. Alessandro Amaro reitera que as investigações estão em fase prematura e, portanto, não há motivações para julgar e prejulgar qualquer situação. “É uma fase preliminar de investigação e a gente está em fase de apuração da conduta de cada agente nessa ação criminosa”, salienta.
As investigações continuam para identificar a extensão e o alcance das ações do grupo criminoso, conforme explica o o delegado Regional de Muriaé. “Provavelmente vamos passar as fronteiras do nosso estado e abranger o Espírito Santo e talvez o estado de São Paulo. Realmente, é uma situação que vai merecer uma atenção especial pois trata-se de uma operação complexa”, finaliza.
Danilo Alves



