A morte do cachorro Orelha, registrada no início do mês de janeiro na Praia Brava, em Santa Catarina, ultrapassou as fronteiras do estado e provocou comoção em diversas cidades do país. O animal, que era conhecido e cuidado por moradores da região, morreu após ser vítima de agressões praticadas por adolescentes. O caso reacendeu o debate sobre os maus-tratos contra animais, a necessidade de conscientização da sociedade e a responsabilização dos envolvidos.
Em Manhuaçu, episódios de violência contra animais também já mobilizaram voluntários e entidades de proteção. Para a Associação Bicho Bacana, casos como o de Orelha mostram que o problema não está distante da realidade local. A voluntária da associação, Telma Paulo de Freitas, destaca que, embora a violência contra animais seja recorrente, alguns episódios causam impacto ainda maior pela gravidade e pela repercussão.
Segundo a voluntária, situações semelhantes já foram registradas no município, como um caso ocorrido na região de São Pedro do Havaí, que também gerou forte comoção entre moradores e protetores. Para ela, a repercussão nacional do caso de Santa Catarina evidencia a fragilidade das leis e a sensação de impunidade por parte de quem comete esse tipo de crime.
Telma lembra que, apesar da existência de legislação que endureceu as penas para maus-tratos contra animais a partir de 2019, as punições ainda são consideradas brandas. No caso do cachorro Orelha, os envolvidos são menores de idade, o que limita as medidas legais previstas na legislação brasileira.
A voluntária também reforça a importância das denúncias e da conscientização da população. Nos casos em que o animal possui tutor e está dentro de um domicílio, as denúncias podem ser feitas pelo telefone 181, canal que recebe informações de forma anônima, ou pela ouvidoria do Ministério Público de Minas Gerais, disponível de forma online. Cada estado possui sua própria plataforma de ouvidoria.
De acordo com a Associação Bicho Bacana, muitas pessoas ainda têm medo de denunciar, especialmente quando os casos envolvem vizinhos ou conhecidos. Por isso, a entidade orienta que os moradores procurem ajuda pelas redes sociais da associação, onde recebem orientações e, quando necessário, auxiliam no encaminhamento das denúncias aos órgãos competentes.
Por fim, a voluntária destaca que o respeito aos animais deve começar na infância, por meio da educação e do convívio responsável. Para ela, formar crianças conscientes é um passo fundamental para construir uma sociedade mais justa, segura e respeitosa, tanto para os animais quanto para os seres humanos.
Ana Flávia Domingos – Tribuna do Leste



