Irmãos relatam como saíram da área de mata no Parque Nacional do Caparaó
Jonatan Peixoto Ribeiro, de 24 anos, e Juliana Peixoto Ribeiro, de 27 anos, falaram ao Jornal Tribuna do Leste após deixarem a área de mata do Parque Nacional do Caparaó, na região de Pedra Menina. Eles estavam desaparecidos desde segunda-feira e relataram como foi o deslocamento até encontrarem ajuda.
Segundo Jonatan, o trajeto ocorreu fora de trilha. “Por onde a gente estava passando não tinha trilha, não tinha atividade humana naquele lugar. A gente não tinha nenhuma ferramenta, a gente tinha que abrir caminho na mão”, disse.

Ele contou que, ao avistar veículos ao longe, decidiu seguir em direção à parte baixa da serra. “Lá de cima do pico eu vi um monte de carro lá embaixo. A percepção é que está perto, mas quando a gente começa a descer não está perto”, afirmou. O deslocamento ocorreu pela área de cachoeiras. “A gente começou a descer pela cachoeira, que era por onde estava mais viável no momento. Enquanto tinha luz, a gente ia descendo. Quando a noite caía, a gente se abrigava e dormia. No dia seguinte, a mesma coisa, até que a gente conseguiu chegar em uma residência no final da trilha, e essa família deu o apoio necessário”, relatou.
Sobre alimentação e hidratação, Jonatan informou: “A água a gente estava bebendo da cachoeira, mas pouca. Comida, a gente achou um pé de tangerina no final do dia. Foi só isso que a gente comeu”.
Juliana relatou dificuldades em trechos sem acesso pela cachoeira. “Teve partes que a gente não conseguia ir pela cachoeira e ia pela mata fechada, abrindo na mão. Tinha lugar que era só ladeira e a gente descia sentado”, disse. Segundo ela, a orientação foi seguir o curso d’água. “A gente foi se guiando pela cachoeira e descendo até chegar em algum lugar. Eram muitas cachoeiras, não acabava nunca”, afirmou.
Ela também destacou o apoio do irmão durante o deslocamento. “Ele foi peça essencial. O tempo todo falava para a gente seguir. Se a gente ficasse parado lá em cima, estava frio. O melhor era seguir uma rota”, disse.
Juliana afirmou que a experiência trouxe aprendizado. “Ter mais cuidado. Se for a primeira trilha, fazer com guia. A trilha foi tranquila, o problema foi lá em cima. A gente se distraiu, errou o caminho e continuou. Na descida tinha neblina e a gente não tinha visão. Depois limpou, mas a gente já estava perdido”, relatou.
As buscas contaram com a atuação do ICMBio, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar de Minas Gerais e do Espírito Santo.
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Danilo Alves – Tribuna do Leste



