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Número de afastamentos no INSS por saúde mental bate recorde em 2025

Os afastamentos do trabalho por questões de saúde mental bateram recorde no Brasil. De acordo com dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, mais de 400 mil benefícios foram concedidos no último ano, número que representa aumento de 80% em relação a 2023.
Para a psicóloga de Manhuaçu, Vanderlea Bittencourt, o crescimento dos casos exige atenção. “Esse número de afastamentos do trabalho por prejuízo na saúde mental do sujeito tem sido bastante expressivo e, de alguma forma, vem trazendo um alerta para nós”, afirma. Segundo ela, os fatores podem estar diretamente ligados ao ambiente profissional ou a um quadro prévio que acaba sendo potencializado pelo contexto laboral.

Entre os elementos citados estão problemas na liderança e excesso de demandas. Vanderlea explica que um gestor com dificuldades de comunicação ou que atue apenas com base em cobrança pode impactar a saúde do trabalhador. Ela também aponta a sobrecarga como fator relevante: “Às vezes, o sujeito está num período, numa carga horária, onde ele tem uma demanda excessiva. Isso vai exigir dele uma entrega quase impossível de ser realizada, porque o tempo hábil não é condizente com o tanto de demanda que ele tem para dar conta”.

A psicóloga destaca que, em muitos casos, o trabalhador aceita funções que não correspondem ao seu perfil por necessidade de emprego. “Ele se coloca, às vezes, num ambiente onde vai entender que exercer aquela função exige para além do que ele dá conta. E ele persiste nisso”, diz. Com o tempo, podem surgir sinais como ansiedade elevada, perda de interesse pelo trabalho e sentimento de desesperança.
Vanderlea ressalta que o aumento dos afastamentos não está relacionado apenas ao ambiente profissional, mas também a fatores sociais. “Esse aumento está atrelado não somente à área profissional do sujeito. Ele pode estar ligado a uma condição social”, explica. Segundo ela, a sociedade marcada por aceleração e cobranças intensas contribui para quadros de ansiedade e autocobrança.

A forma como o indivíduo se insere socialmente também influencia sua trajetória no mercado de trabalho. Dificuldades em estabelecer relações, impor limites e se posicionar podem se refletir no ambiente corporativo. “Às vezes, ele não vai se dar conta de que isso não é sobre o que está sendo exigido no cargo, mas sobre a dificuldade que ele tem de impor limite, de dizer um não, de se posicionar”, afirma.

A psicóloga aponta que gestores atentos podem identificar mudanças no comportamento dos colaboradores, como queda na produtividade e aumento de faltas. “Isso já é um sinal de alerta”, diz. Para ela, líderes preparados têm papel importante ao reconhecer essas alterações e orientar o trabalhador a buscar ajuda profissional antes que o quadro evolua para um esgotamento que impeça o exercício da função. O cenário, segundo Vanderlea, indica a necessidade de atenção à saúde mental tanto nas empresas quanto na sociedade, com ações voltadas à prevenção e ao acompanhamento dos trabalhadores.

Lorena Correia – Tribuna do Leste

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