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Uso excessivo de telas na infância pode antecipar problemas de visão, alerta especialista

  O uso cada vez mais precoce e prolongado de telas por crianças tem se tornado um dos grandes desafios da atualidade, especialmente no que diz respeito à saúde visual. Celulares, tablets e computadores mantêm os olhos constantemente focados a curta distância, exigindo esforço contínuo da visão. Em uma fase em que o sistema visual ainda está em desenvolvimento, esse hábito pode favorecer o surgimento precoce de problemas como a miopia.

De acordo com a oftalmologista e especialista em atendimento infantil, Dra. Ana Paula Tasca, o uso excessivo de telas têm  impactado diretamente o desenvolvimento dos olhos das crianças. Segundo a médica, o crescimento expressivo dos casos de miopia já é observado no Brasil e em diversos países. A estimativa é de que, até 2050, cerca de metade da população mundial seja míope. No Brasil, nos últimos dez anos, houve um aumento de aproximadamente 35% nos casos de miopia entre crianças e jovens.

A especialista explica que, ao permanecer longos períodos focando objetos muito próximos, o olho realiza um esforço constante chamado de acomodação. Esse esforço excessivo pode provocar o aumento do comprimento do globo ocular, alteração responsável pelo desenvolvimento da miopia. Como o olho da criança é mais sensível e suscetível a fatores externos, o risco de desenvolver o problema é ainda maior nessa fase da vida.

A médica destaca que atividades ao ar livre exercem papel fundamental na prevenção da miopia. Brincar fora de casa estimula o foco à distância e garante maior exposição à luz natural, essencial para a saúde dos olhos. Além disso, durante atividades sob a luz do sol, o organismo produz dopamina, hormônio que atua como fator de proteção para a visão.

Outro ponto de atenção é a luz artificial emitida pelas telas, que pode causar cansaço visual, ressecamento dos olhos e piora do estímulo visual, contribuindo para o agravamento do problema. A doutora alerta que quanto mais cedo a criança desenvolve miopia, maior tende a ser o grau na vida adulta, o que pode resultar em complicações futuras.

Diante desse cenário, a recomendação é estabelecer limites claros para o uso de telas. Crianças de até dois anos não devem ter contato com telas. Entre dois e cinco anos, o tempo deve ser de até uma hora por dia. De seis a onze anos, o ideal é limitar o uso entre uma e duas horas diárias. Já a partir dos 12 anos, o tempo recomendado varia de duas a três horas por dia.

Além das alterações visuais, o uso excessivo de telas pode provocar sintomas como dores de cabeça, dor nos olhos, dificuldade de aprendizado e problemas de concentração. Mudanças de comportamento, como isolamento, irritabilidade e desinteresse pelas atividades ao redor, também devem servir de alerta para pais e responsáveis.

A orientação, segundo a especialista, não é eliminar totalmente o uso de telas, mas garantir que ele seja feito de forma equilibrada, contribuindo para que a criança tenha uma infância mais saudável e um desenvolvimento adequado da visão.

Ana Flávia Domingos – Tribuna do Leste

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