Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026 apontam crescimento no número de crianças e adolescentes que enfrentam quadros de sobrepeso ou obesidade. No Brasil, mais de 16 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos já convivem com essa condição, situação que acende o alerta para as causas que desencadeiam esses problemas.
Para a nutricionista de Manhuaçu, Gabrielly Godoi, o aumento de crianças com sobrepeso tem influência direta nos hábitos adotados na rotina. O consumo de alimentos ultraprocessados e industrializados, o sedentarismo e o uso excessivo de telas são fatores determinantes para esse cenário. Para a nutricionista, o problema está na rotina: “O maior erro está na realidade, na rotina. Então, os pais não estimularem a criança a praticar um exercício físico, (…) o que mais vai estar fazendo todo esse contexto piorar um pouquinho, é de fato, os pais estarem ali, indo no mais simples, um biscoito recheado para um lanche da tarde, para um café da manhã.” explica Gabrielly.
Os principais sinais de obesidade infantil, além do excesso de gordura, são a prostração, o cansaço frequente e a dificuldade no aprendizado. A nutricionista alerta que crises de autoestima em adolescentes também podem ser um indicativo. Gabrielly reforça que, no caso do público infantojuvenil, é necessário ir além da estética, observando aspectos emocionais e da rotina. Dessa forma, é possível identificar o estado nutricional da criança.
Gabrielly também destaca que a melhora da alimentação nas escolas é um passo importante para reduzir o impacto do sobrepeso. Recentemente aprovada, a proibição da venda de alimentos ultraprocessados nas escolas e a exigência de oferta de pelo menos uma opção saudável já começam a ser implementadas. Estados como Ceará e Rio de Janeiro passarão a cobrar a adoção dessas medidas nas redes pública e privada.
De acordo com a nutricionista, a medida é positiva, mas não pode ser considerada a única ação necessária. Apesar do contato com alimentos mais saudáveis nas escolas gerar influência nas crianças, é preciso a colaboração dos pais ou responsáveis: “Os pais também têm responsabilidade, porque não adianta na escola a criança comer bonitinho, (…) mas chegar em casa os pais oferecerem miojo de janta. Então, meio que você quebra ali toda uma educação alimentar e nutricional que o seu filho esteve.” alerta a nutricionista.
As orientações para prevenir o sobrepeso, a obesidade e problemas associados envolvem mudanças na rotina. Segundo a nutricionista, a praticidade pode trazer prejuízos à saúde. Ela indica que os adultos invistam mais tempo no preparo de alimentos em casa, envolvam as crianças nesse processo e estimulem hábitos alimentares mais equilibrados. Além disso, a prática de atividade física com orientação também é importante para reduzir os riscos.
Lorena Correia – Tribuna do Leste



