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Executor de homicídio é condenado a 41 anos em Ipanema

O Tribunal do Júri da Comarca de Ipanema condenou nesta sexta-feira, 24 de abril de 2026, um homem de 32 anos à pena de 41 anos de reclusão pelo homicídio qualificado de Raul Terra Nova de Paula Costa, crime praticado em 11 de agosto de 2024 nesta cidade.

A condenação encerra a primeira fase judicial de um dos casos de maior complexidade investigativa já registrados na comarca de Ipanema — um homicídio encomendado, planejado e executado por uma organização criminosa estruturada, que mobilizou diligências em quatro cidades mineiras e no Rio de Janeiro ao longo de cinco meses de investigação.
O Crime

Na noite de 11 de agosto de 2024, Raul Terra Nova de Paula Costa, 27 anos, foi atraído para fora de sua residência na Rua Joaquim Gomes, Centro de Ipanema, por meio de uma ligação telefônica armada como emboscada. Ao sair, foi surpreendido por atiradores que chegaram em um veículo de cor preta com placa clonada. A vítima foi atingida por múltiplos disparos de arma de fogo e morreu no local. Após a execução, o veículo foi deliberadamente incendiado pelos autores para destruir vestígios.
A Investigação

O inquérito policial foi instaurado em 13 de agosto de 2024 pela Delegacia de Polícia Civil de Ipanema. As apurações revelaram que o crime foi praticado no contexto de uma organização criminosa hierarquicamente estruturada, responsável pelo controle do tráfico de drogas na cidade. A motivação foi a cobrança de uma dívida da vítima com o grupo e o extravio de armas de fogo pertencentes à organização, que estavam sob guarda de Raul.

Em dezembro de 2024, foi deflagrada a Operação Fede Spezzata (“Fé Quebrada”), que resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão em dois municípios e na prisão temporária de um dos investigados. A operação apreendeu dispositivos eletrônicos, documentos, anotações de tráfico e materiais relacionados à adulteração do veículo usado no crime.

A investigação envolveu diligências em Ipanema, Timóteo, Ipatinga, Caratinga, Aimorés e Rio de Janeiro, e contou com a cooperação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que prendeu um homem de 28 anos — apontado como mandante e líder da organização — e um homem de 26 anos, gerente local do grupo criminoso, na Praia do Vidigal em setembro de 2024, encerrando a fase de captura dos principais investigados.
Os Responsáveis

Ao final das investigações, foram indiciados cinco adultos: um homem de 32 anos, como executor principal; um homem de 28 anos, como mandante e líder da organização; um homem de 26 anos, como gerente local e intermediário do pagamento pelo crime; um homem de 22 anos, como co-executor e participante da fuga; e um homem de 30 anos, responsável pelo transporte e logística do veículo com placa adulterada utilizado na execução. Dois adolescentes foram representados nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente. Os demais réus adultos aguardam julgamento.
A Condenação

O Conselho de Sentença reconheceu o homicídio qualificado praticado com motivo torpe — o crime foi pago — e por meio que dificultou a defesa da vítima, submetida a emboscada com recurso de surpresa. A pena de 41 anos de reclusão reflete a gravidade da execução planejada e o papel central do condenado na ação criminosa.
Nota do Delegado Responsável

“A condenação representa um resultado concreto de uma investigação que exigiu determinação, integração interinstitucional e técnica policial apurada. O trabalho da Delegacia de Polícia Civil de Ipanema, em cooperação com a Polícia Militar e a Polícia Civil do Rio de Janeiro, foi fundamental para que a Justiça pudesse apreciar as provas e pronunciar o veredicto. Continuamos empenhados para que todos os demais responsáveis recebam a mesma resposta do sistema de Justiça.”

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