Safra de café deve ter bom rendimento em Manhuaçu e região, avalia Emater
A safra de café de 2026 deve apresentar bom rendimento em Manhuaçu e cidades da região, segundo avaliação da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais. A expectativa acompanha as projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Governo de Minas Gerais, que apontam para uma das maiores safras da história do estado.
De acordo com o extensionista da Emater, Cristiano Alberto, as condições climáticas registradas entre o início do ano e o mês de abril favoreceram o desenvolvimento das lavouras, após um período de incertezas durante as floradas no fim do ano passado. “Este ano está se consolidando como um ano de safra muito boa. Tivemos uma florada muito boa e, apesar de poucas chuvas entre outubro e dezembro, a partir de janeiro tivemos períodos de chuva e umidade no solo que favoreceram o crescimento das plantas”, explicou.
Segundo ele, além das condições climáticas, os investimentos feitos pelos produtores em manejo e tratos culturais também contribuíram para o desempenho das lavouras. “Os produtores investiram em cuidados com a lavoura, favorecidos também pelo preço do café. O que vingou de grãos lá atrás, quando havia incerteza sobre o pegamento, a maioria realmente se desenvolveu”, afirmou.
Com o início da colheita, a mecanização tem sido uma alternativa para reduzir custos e enfrentar a dificuldade de contratação de mão de obra. Cristiano Alberto destacou que equipamentos utilizados desde a colheita até a secagem têm diminuído a necessidade de trabalho manual. “Hoje existem derriçadores, guinchos, caminhões basculantes, motocultivadores, secadores rotativos e elevadores que ajudam em praticamente todo o processo. Depois da colheita, o produtor quase não precisa mais colocar a mão no café”, disse.
Na agricultura familiar, segundo o extensionista, também já existem equipamentos acessíveis que permitem mecanizar parte do processo produtivo. A região de Manhuaçu é reconhecida pela produção de cafés especiais, e a expectativa de uma safra maior aumenta a preocupação dos produtores com a manutenção da qualidade dos grãos durante a colheita e o pós-colheita.
Cristiano Alberto alertou que, em anos de alta produção, alguns produtores podem enfrentar dificuldades para manter o padrão de qualidade devido ao grande volume de café. “O excesso de café no terreiro ou deixar o café muito tempo na lavoura pode comprometer a qualidade. O ideal é colher e encaminhar rapidamente para secagem”, orientou.
Ele também destacou a importância da separação dos grãos e do planejamento da capacidade de colheita. “Os produtores de cafés especiais não utilizam máquinas diferentes. O diferencial está no cuidado durante todo o processo”, afirmou.
Segundo Cristiano, a região consolidou espaço no mercado de cafés especiais e deve manter resultados positivos nesta safra. “A região hoje é considerada uma das referências em cafés de qualidade no Brasil e no mundo. A expectativa é de que também tenhamos cafés de excelência nesta safra”, disse.
Sobre o desenvolvimento das lavouras, o extensionista afirmou que havia preocupação com o pegamento dos frutos durante o estágio de chumbinho, em razão das variações climáticas registradas no fim do ano passado. No entanto, o cenário atual indica bom desempenho da maioria das plantações. “Havia muita dúvida em relação ao pegamento, mas a grande maioria das lavouras se saiu muito bem. Tivemos um período positivo de expansão e granação dos frutos, com umidade, calor e nutrição adequados”, concluiu.
Danilo Alves – Tribuna do Leste



