Em um período em que os casos de pneumonia costumam aumentar, chega ao Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina VPC20, também conhecida como Pneumo 20. O imunizante, que já era aplicado na rede privada, é considerado uma das formas mais eficazes de prevenção contra a doença.
Segundo a médica pneumologista Jéssica Queiroz, a pneumonia é uma das doenças respiratórias mais graves nesta época do ano, o que reforça a importância da nova vacina. De acordo com a especialista, independentemente de o paciente apresentar ou não fatores de risco, a infecção pode provocar complicações graves e até levar à morte.
Ainda segundo a médica, a vacinação contra doenças infecciosas é uma das principais formas de prevenção, especialmente dos quadros mais graves. Dra. Jéssica ressalta que, embora a imunização seja fundamental, ela deve estar associada à adoção de hábitos saudáveis, ao acompanhamento adequado de doenças crônicas e à manutenção da saúde física.
A vacina Pneumo 20
O SUS já conta com protocolos vacinais que incluem imunizantes contra a bactéria pneumocócica, como as vacinas Pneumo 10, Pneumo 13, Pneumo 15, Pneumo 20 e Pneumo 23. A pneumologista explica que o número presente no nome de cada vacina corresponde à quantidade de sorotipos da bactéria abrangidos pelo imunizante.
A principal diferença da nova vacina está na tecnologia utilizada. A Pneumo 20 é uma vacina conjugada, capaz de gerar uma memória imunológica mais duradoura do que as vacinas polissacarídicas utilizadas anteriormente.
“Parece que a 23 é melhor porque é um número maior e abrange mais sorotipos da bactéria. Mas, na verdade, a Pneumo 20 é uma vacina conjugada, enquanto a Pneumo 23 é polissacarídica. A diferença está na resposta imune que elas provocam. A Pneumo 20 gera uma memória imunológica mais duradoura”, explica a especialista.
Embora o nome da bactéria Streptococcus pneumoniae esteja associado à pneumonia, ela também pode causar outras doenças, como sinusite, meningite, infecções generalizadas, como a sepse, e até participar de quadros de amigdalite. Dessa forma, a vacina oferece proteção contra um amplo conjunto de doenças relacionadas ao pneumococo.
Quem deve participar do protocolo vacinal?
A vacina é destinada a crianças, idosos e pessoas com comorbidades que já faziam parte dos grupos contemplados pelo calendário vacinal. A mudança ocorrerá gradualmente, à medida que os estoques das vacinas anteriormente utilizadas forem sendo substituídos.
Devem ficar atentos à vacinação:
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Crianças menores de 5 anos;
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Idosos com 60 anos ou mais;
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Pessoas com comorbidades, como asma grave, diabetes, cardiopatias, doenças respiratórias crônicas e pacientes imunossuprimidos, incluindo aqueles em tratamento contra o câncer ou portadores de HIV.
Para receber a vacina, não é necessário realizar procedimentos diferentes dos habituais. Basta procurar uma unidade de saúde para atualizar o cartão de vacinação.
A médica esclarece que pacientes que já receberam a Pneumo 20 na rede privada não precisarão receber uma nova dose pelo SUS, pois já são considerados imunizados. O mesmo vale para crianças que já completaram o esquema vacinal. Já pessoas com mais de 5 anos que possuem comorbidades precisarão apresentar relatório médico justificando a necessidade da imunização para terem acesso à vacina.
A importância da incorporação ao SUS
Segundo Dra. Jéssica Queiroz, a Pneumo 20 já está disponível na rede privada há cerca de um ano e meio e possui custo elevado para grande parte da população. Com sua incorporação ao SUS, o acesso ao imunizante será ampliado, contribuindo para a redução dos casos graves e das mortes associadas à doença, além de gerar impactos positivos para a saúde pública.
“Sempre é mais barato prevenir as doenças do que tratá-las quando já estão instaladas”, afirma a médica.
A especialista também destaca que a distribuição da Pneumo 20 ocorrerá gradualmente. Enquanto houver estoque das vacinas anteriormente utilizadas, elas continuarão sendo aplicadas.
“A partir do momento em que esses estoques forem esgotados para os pacientes com comorbidades, a Pneumo 20 passará a ser disponibilizada”, explica.
Lorena Correia – Tribuna do Leste



