El Niño deve ganhar força e aumentar períodos de calor em Manhuaçu e região
Fenômeno já está presente e deve se intensificar entre a primavera e o início do verão; meteorologista alerta também para possibilidade de chuvas intensas, aumento do consumo de energia e riscos para o agronegócio
O El Niño já está presente e deve ganhar força nos próximos meses, com possíveis impactos nas condições climáticas de Manhuaçu e de toda a região. O fenômeno é provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pode influenciar o clima em diferentes partes do Brasil.
Para 2026, os órgãos de meteorologia apontam uma tendência de intensificação do fenômeno entre a primavera e o início do verão. No Sudeste, uma das principais consequências esperadas é a ocorrência de temperaturas acima da média, aumentando a possibilidade de períodos de calor mais intenso.
A meteorologista Ana Paula Paes, que presta consultoria para a Energisa, explica que o fenômeno já começou e está em fortalecimento no Pacífico. Apesar disso, ainda não é possível determinar com precisão quando os efeitos mais extremos serão sentidos em cada município.

“A gente sabe que nos próximos meses a gente tem essa tendência, mas especificar uma semana só quando estivermos mais próximos de cada evento”, explica.
De forma geral, o El Niño costuma favorecer redução das chuvas em áreas do Norte e Nordeste e aumento das precipitações no Sul do país, enquanto grande parte do território brasileiro pode registrar elevação das temperaturas. No entanto, a intensidade e o período em que essas alterações vão ocorrer variam de uma região para outra.
Calor deve ser o principal efeito na região
Para Manhuaçu e municípios próximos, o aumento das temperaturas é apontado como o efeito mais evidente. Segundo Ana Paula, existe a possibilidade de ocorrência de ondas de calor no final de 2026 e no início de 2027, embora ainda não seja possível determinar quando elas acontecerão.
A orientação para a população é acompanhar as previsões meteorológicas e reforçar os cuidados durante os períodos de temperaturas elevadas, principalmente com a hidratação.
O calor também pode contribuir para a formação de chuvas fortes e tempestades. Isso acontece porque o calor, associado à presença de umidade na atmosfera, favorece o desenvolvimento de nuvens de tempestade.
“Calor e umidade são combustíveis muito favoráveis à formação de nuvens de tempestade. Então, quando tivermos uma entrada de umidade, é muito provável que essas chuvas ocorram com maior intensidade”, afirma a meteorologista.
Por isso, mesmo com a expectativa de temperaturas elevadas, o cenário não significa ausência completa de chuva. Eventos de precipitação intensa ainda podem ocorrer.
Impactos no consumo de energia e no agronegócio
As mudanças no clima também podem afetar diferentes setores da economia. No sistema elétrico, períodos prolongados de calor tendem a aumentar o consumo de energia, principalmente pelo maior uso de ar-condicionado, ventiladores e outros equipamentos de refrigeração.
No agronegócio, as temperaturas mais altas podem aumentar a desidratação das culturas e elevar o risco de queimadas. A combinação entre calor e períodos de menor ocorrência de chuva pode favorecer condições mais secas na região.
A meteorologista destaca que o acompanhamento das condições climáticas é importante para que população, empresas e produtores possam se preparar.
“Não temos como evitar que o El Niño aconteça e os efeitos aconteçam, mas nós podemos nos preparar para isso”, ressalta Ana Paula.
Energisa reforça preparação para eventos extremos
Os possíveis impactos do El Niño também preocupam o setor elétrico. A Energisa vem utilizando monitoramento meteorológico, análise de dados e preparação das equipes para antecipar situações que possam afetar o fornecimento de energia.
Entre os eventos monitorados estão tempestades, raios, ventos fortes, ondas de calor, estiagens e queimadas.
A empresa destaca que o acompanhamento antecipado das condições climáticas permite organizar equipes, materiais e estratégias de atendimento antes da ocorrência de eventos mais severos.
A reportagem completa da Energisa sobre os efeitos do El Niño no sistema elétrico e as medidas adotadas para enfrentar eventos climáticos extremos está disponível clicando aqui
Tribuna do Leste – Lorena Correia



