A noite desta segunda-feira (10) foi marcada por fé, devoção e memória para a comunidade católica de Manhuaçu. A cidade celebrou o dia de São Lourenço, padroeiro do município, com uma programação que reuniu fiéis em torno da celebração da Santa Missa campal, presidida pelo bispo da Diocese de Caratinga, Dom Juarez Delorto Secco.
Para o bispo, a celebração de São Lourenço vai além de uma tradição religiosa. O santo, que foi diácono e mártir da Igreja, é lembrado pelo testemunho de fé, pelo serviço e pela dedicação aos mais necessitados. “São Lourenço é diácono e mártir da Igreja. Doou sua vida por causa de Jesus, por amor a Jesus. Então, ele representa para nós uma graça muito grande pelo seu testemunho, pela sua fidelidade à fé, e nos ensina também hoje a ser testemunhas do Senhor e a viver a nossa fé”, afirmou Dom Juarez.
Segundo ele, a história de São Lourenço permanece atual justamente pelo exemplo de quem colocou a própria vida a serviço da fé e dos pobres. “Ele enfrentou o Império Romano, enfrentou tantas dificuldades e entregou sua própria vida por amor. Também nos ajudou a dar o testemunho e o amor aos pobres. Isso é muito importante”, destacou.
Dom Juarez também ressaltou a importância da presença dos Missionários Sacramentinos na região e a trajetória construída ao longo de oito décadas na Paróquia de São Lourenço. “É uma alegria muito grande tê-los em nosso meio. Toda essa parte aqui, de Espera Feliz até Manhuaçu, o Padre Júlio Maria de Lombaerde se dedicou tanto, e os Sacramentinos também atuaram muito aqui. É muito importante para nós essa comunhão, essa unidade com a Congregação”, disse.
O bispo ainda lembrou a atuação do venerável Padre Júlio Maria de Lombaerde, figura ligada à história da congregação e da evangelização na região, e convidou a comunidade a conhecer o legado deixado por ele.
80 anos dos Sacramentinos
A festa deste ano ganhou um significado ainda maior com a comemoração dos 80 anos da presença dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora na Paróquia de São Lourenço. Durante os nove dias que antecederam a festa do padroeiro, a comunidade participou do novenário, que teve como tema justamente as oito décadas de atuação dos religiosos na paróquia. O pároco, Padre Carlos Altóe, SDN, destacou que a comemoração representa a história de muitas pessoas que dedicaram parte da vida ao trabalho pastoral e à comunidade. “Nós tivemos a oportunidade, durante os últimos dez dias, concluindo hoje com a festa, de viver todo o novenário. O lema que nos acompanhou foi os 80 anos da presença dos Missionários Sacramentinos na Paróquia de São Lourenço”, explicou.
Para o sacerdote, a marca dos 80 anos não está apenas no tempo, mas nas histórias construídas ao longo dessas décadas. “Foi um momento muito importante, muito belo, grandioso e cheio de significado, porque foram vidas doadas, entregues ao trabalho pastoral. A missão, nesses últimos 80 anos, foi conduzir e servir a Paróquia de São Lourenço”, afirmou.
Padre Carlos também falou sobre o significado do santo para a comunidade.“São Lourenço é um santo do século III, martirizado, que sofreu muito, mas viveu uma vida muito bela. É um dos mártires amados por Deus. Sua vida e sua missão marcaram a história da Igreja, assim como continuam marcando a história e a vida da nossa Paróquia de São Lourenço”, ressaltou.
Uma história que atravessa gerações
A celebração dos 80 anos também foi destacada pelo vigário paroquial, Padre Rafael Henrique, SDN, que chamou atenção para a dimensão histórica da presença dos Sacramentinos. Segundo ele, a congregação está presente em uma parte significativa da trajetória da própria paróquia, que completa 151 anos. “Estamos comemorando 80 anos da presença dos Sacramentinos de Nossa Senhora aqui na Paróquia de São Lourenço. É um momento importante para a nossa congregação, porque comemorar 80 anos em uma paróquia que está comemorando 151 anos significa que é mais da metade da história desta paróquia com a presença da congregação”, afirmou.
Para Padre Rafael, essa presença ajudou a construir parte da identidade religiosa de Manhuaçu. “A nossa espiritualidade e a nossa presença marcaram esta paróquia, marcaram esta cidade e a religiosidade. Por isso, celebramos com alegria, com intensidade, com amor e com carinho este momento”, disse.
A festa do padroeiro encerrou um ciclo de preparação iniciado nove dias antes. “Não é somente um feriado municipal. É o dia do padroeiro da cidade. Nós celebramos com intensidade, com fé, religiosidade e devoção. Depois de nove dias de preparação, chegamos ao dia festivo para comemorar São Lourenço”, completou o sacerdote.
Música como forma de evangelização
Depois da celebração religiosa, a programação seguiu com música e evangelização. O Ministério ABBA, grupo católico formado por jovens de Martins Soares, participou da programação.
Para a cantora Pamela Azevedo, uma das vocalistas do grupo, estar em Manhuaçu em uma data tão simbólica representa uma oportunidade de levar a mensagem cristã por meio da música.
“É sempre uma alegria muito grande quando a gente recebe um convite para levar, através das nossas canções, a evangelização. Quando recebemos esse convite, ficamos muito felizes em poder transmitir, através das nossas músicas, aquilo que fazemos de todo o coração”, contou.
Ela explicou que o trabalho do grupo busca alcançar também pessoas que nem sempre estão inseridas na rotina da Igreja.
“Muitas vezes, as pessoas que vêm ao show não são da Igreja. Elas vêm para curtir um momento e, em alguma palavra ou ministração que a gente faça, conseguimos evangelizar aquela pessoa. Nem sempre só as palavras tocam. A música toca muito”, afirmou.
Para Pamela, esse é o sentido principal do ministério. “De que vale a gente vir aqui cantar e não conseguir nenhuma alma para Deus? Então, o que a gente pode fazer, fazemos com muito amor, louvor e dedicação”, destacou.
A fé vivida na comunidade
Entre os fiéis que participaram da celebração estava Graça Cipriano, ministra da Palavra. Para ela, a festa de São Lourenço também é um momento de olhar para a própria caminhada de fé e reconhecer o papel daqueles que dedicaram a vida à comunidade. “O coração da gente transborda de tanta emoção e de reconhecimento do que São Lourenço foi, do que ele fez e do que ele representa na nossa fé, na nossa comunidade e na nossa paróquia”, afirmou.
Graça também relacionou o exemplo do padroeiro à atuação dos próprios fiéis, que são chamados a colocar seus dons a serviço da comunidade. “Esses exemplos, dessas pessoas que dedicaram a vida, incentivam a gente também a participar, a doar e a colocar os dons e talentos que temos a serviço da comunidade”, disse.
Como ministra da Palavra, ela conta que a participação na vida paroquial também representa uma experiência de crescimento pessoal e espiritual. “A gente cresce na fé, conhece muitas pessoas das comunidades, vai interagindo, e a fé da gente vai ficando mais fortalecida. A gente vai se reconhecendo no outro, e o outro também vê na gente um exemplo que pode ser seguido”, relatou.
Ao final, Graça deixou uma mensagem para quem ainda não encontrou coragem para se envolver mais diretamente com a comunidade. “Vale a pena dizer sim. Mesmo com os desafios, com medo ou com receio, no andar, no caminho, você vai se fortalecendo e se firmando na fé. Cada um precisa experimentar e viver essa experiência para sentir como é importante dedicar a sua vida a serviço do outro”, concluiu.
Danilo Alves – Tribuna do Leste


