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Número de pessoas em situação de rua em Manhuaçu gera preocupações

O número de pessoas em situação de rua e as abordagens constantes com pedidos de ajuda financeira têm preocupado a população em Manhuaçu. O quadro crescente no número de pessoas que vivem na rua acompanha um crescimento nacional. Segundo o pesquisador do tema, Igor Rodrigues, o número de pessoas em situação de rua subiu de 30 mil em 2009 para cerca de 300 mil em 2025.

Igor Rodrigues, explica que o crescimento no número de pessoas em situação de rua no município está associado, de maneira geral, a falta de capacidade da sociedade em inserir uma parcela da população de forma digna, parte disso, segundo Igor, é consequência de um processo bem mais anterior, iniciado nos anos 80 com a microeletrônica e o início da substituição de empregos formais por maquinário automatico. Além disso, Igor destaca outros fatores que contribuem: “Esse movimento começa na década de 80, justamente com a microeletrônica, com a eliminação do emprego, e esse é o ponto central, porque o capitalismo atual, nós temos perdido e produzido resíduos humanos, nós temos descartado as pessoas.” afirmou. 

Apesar das taxas de desemprego terem reduzido nos últimos anos, a empregabilidade é maior para pessoas com ensino superior completo, o que demonstra a baixa capacidade de absorção de pessoas com baixa escolaridade, gerando vulnerabilidade e informalidade dos trabalhos. Além disso, fatores como a  perda de influência da família no indivíduo, culminando em subfatores como a depressão e o uso de psicoativos são relevantes para a análise do aumento de pessoas em situação de rua.

O especialista também indica que a dependência química e a situação de rua são causas interligadas: “Dependência química, ela de uma certa forma não é o mesmo universo  da situação de rua, mas estão ali convivendo. Alguns são, alguns não são, alguns acabam se tornando. Então a rua é um ambiente extremamente hostil, a rua é um ambiente difícil, de violências, e isso acaba criando um quadro de vulnerabilidade muito acentuado.” indica Igor. A relação próxima entre dependência química e a população de rua é, para o especialista, um indicativo de que as políticas públicas em Manhuaçu ainda não atendem de forma completa o indivíduo, para Igor, políticas relacionadas a saúde mental ainda precisam de aprimoramento: “Manhuaçu precisa urgente de um projeto, de um programa de saúde mental mais avançado. Um programa de saúde mental que contemple a questão da adicção, que é central para a situação de rua em Manhuaçu, dos adictos, da dependência química.” explica. 

No último ano o Governo Federal incluiu também as pessoas em situação de rua nas prioridades do Bolsa Família e no Cadastro Único. A medida, na análise do Doutor em Ciências Sociais, é necessária, mas pode ser aprimorada com políticas de conscientização e educação financeira que ajude pessoas em vulnerabilidade a conseguirem um melhor uso do benefício e gerar uma mudança efetiva no panorama atual.  Aliado às políticas públicas, Igor reforça a importância de alterar a forma como a ajuda é oferecida às pessoas em vulnerabilidade social, fazendo com que ela se sinta incluída socialmente.

Diante do cenário de crescimento do número de pessoas em situação de rua e das abordagens constantes durante o percurso na região central de Manhuaçu, o questionamento sobre o real impacto da ‘esmola’ se torna inevitável. Na perspectiva do pesquisador, a esmola não ajuda a reduzir a desigualdade e nem oferece oportunidades a quem está nas ruas, ao ser abordado, a orientação do pesquisador e apoiada pela Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social é indicar uma unidade do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS).

Ainda segundo Igor, uma maneira de ajudar a reduzir a vulnerabilidade social enfrentada pelas pessoas em situação de rua é contribuir com instituições que exercem trabalhos sociais como FUMAPH  E CAF, que realizam atividades e oficinas, o que auxilia a evitar que o indivíduo chegue a situação mais crítica.

Segundo a Secretária de Trabalho e Assistência Social de Manhuaçu, Sandra de Mello, o município realiza o acompanhamento por meio do serviço de abordagem social, que permite contabilizar o número de moradores de rua na cidade, destacando que esse público não é fixo e circula entre cidades, o que dificulta uma contagem exata. Segundo ela, “nos últimos dias nós tivemos 24 registros no sistema de atendimento a pessoas em situação de rua”.

Ela explicou que, durante as abordagens, são coletados dados sobre a origem das pessoas, vínculos familiares e demandas, com o objetivo de “ofertar serviços socioassistenciais” e orientar sobre acolhimento ou passagem, já que a maioria também são migrantes. Sobre o acesso aos serviços, afirmou que o atendimento pode ser buscado no CRAS, que é a referência para esse tipo de situação.

Ao tratar das causas associadas à situação de rua, Sandra declarou que as pessoas em situação de rua são uma preocupação muito grande para a política pública de assistência social, mas também para todos os setores, para todas as políticas públicas. Por quê? Quando a pessoa chega à situação de rua, quase sempre tem um envolvimento com rompimento de vínculos familiares decorrentes de uso e abuso de álcool e droga. Então é uma dificuldade muito grande, porque não é só a situação de rua, é o vício, é o risco, é a resistência em aceitar ajuda, em aceitar ir para um serviço de acolhimento e de recuperação.” afirmou.

Em relação às orientações à população, Sandra disse que a recomendação é “indicar para essas pessoas os serviços socioassistenciais do município”, orientando a procura pelo CRAS. E em casos de abordagens consideradas constrangedoras, ela indica que a vítima pode acionar o serviço de segurança pública, a polícia militar.

Lorena Correia – Tribuna do Leste

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