
O excesso de chuvas registrado nas últimas semanas tem provocado impactos significativos nas lavouras de café da região, comprometendo a estrutura do solo e o desenvolvimento das plantas. A alta umidade favorece a compactação do solo e a perda de nutrientes essenciais, além de aumentar o risco de erosão, que pode provocar o arraste da camada mais fértil da terra e afetar diretamente a produtividade do cafeeiro.
De acordo com a extensionista da Emater, Nívea de Melo, o volume excessivo de precipitações interfere de forma direta nas condições das lavouras, especialmente na execução dos tratos culturais. “Esse excesso de chuvas prejudica a lavoura. Com a formação intensa de barro, o produtor não consegue entrar com o maquinário para realizar o controle de doenças, a adubação e o controle do mato, além das roçadas. Com isso, os tratos culturais acabam sendo atrasados”, explica.
Outro problema causado pelo excesso de chuvas é a lixiviação dos nutrientes. Segundo Nívea, a água carrega elementos essenciais como potássio, nitrogênio e enxofre para camadas mais profundas do solo, tornando-os indisponíveis para absorção pelas plantas. Esse processo compromete o desenvolvimento do cafeeiro e reduz o potencial produtivo da lavoura.
Em áreas de relevo mais inclinado, a força da enxurrada pode intensificar ainda mais os danos, provocando a formação de voçorocas e o transporte da camada superficial do solo, onde se concentram os adubos e a matéria orgânica. Esse material acaba sendo levado para córregos, rios e lagoas, contribuindo para o assoreamento dos corpos d’água.
Além disso, o encharcamento do solo reduz a presença de oxigênio, dificultando a respiração das raízes. Esse cenário pode resultar no amarelecimento das folhas, queda de frutos e comprometimento do crescimento das plantas. A extensionista destaca ainda que a alta umidade influencia negativamente o desenvolvimento do sistema radicular, dificultando a absorção adequada de água e nutrientes.
Com a erosão, o solo perde sua estrutura e capacidade de infiltração, passando a encharcar com mais facilidade e sendo cada vez mais arrastado pela água. Esse processo não só prejudica a lavoura, como também aumenta o risco de enchentes e o transporte de resíduos de defensivos agrícolas para os corpos hídricos, gerando impactos ambientais.
Ana Flávia Domingos – Tribuna do Leste



