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Buracos na BR-262 afetam rotina de motoristas e transporte de pacientes na região

As crateras no asfalto da BR-262 deixaram de ser apenas um problema de infraestrutura para se tornarem um obstáculo à dignidade e à saúde de quem trafega pela região.  O cenário se traduz em pneus estourados, prejuízos financeiros e no atraso de atendimentos médicos vitais, transformando uma viagem de rotina em um teste de resistência para motoristas.

A reportagem do Tribuna do Leste esteve em um trecho da BR-262 entre Manhuaçu e Realeza e constatou a presença de buracos ao longo da pista. O local é apenas um dos pontos da rodovia que apresentam problemas semelhantes. Motoristas reduzem a velocidade de forma brusca, desviam para o acostamento e, em alguns casos, precisam parar após danos nos veículos.

O policial rodoviário federal Tadeu Lima reforça que, diante do cenário, a principal orientação é a prevenção. Segundo ele, durante as abordagens, a Polícia Rodoviária Federal atua não apenas na autuação, mas também na conscientização dos condutores. “A PRF sempre orienta o motorista, inclusive no momento da autuação, para que ele não volte a cometer a infração. Quando o condutor desrespeita um artigo previsto em lei, ele assume um risco que pode resultar em acidente. Por isso, a orientação é constante”, afirmou.

Motorista da Secretaria Municipal de Saúde de Manhumirim há mais de 25 anos, Ivan Caetano percorre a BR-262 diariamente no transporte de pacientes da vertente do Caparaó para Belo Horizonte. Ele relata que a rotina precisou ser alterada por causa das condições da pista. “Nós estamos saindo uma hora mais cedo. Se não fizermos isso, os pacientes não conseguem chegar no horário das consultas. O que estamos vendo é buraco ao longo da rodovia. Até veículo pequeno tem dificuldade para passar”, disse.

Ivan afirma que a situação afeta diretamente pessoas em tratamento de saúde. “Transportamos pacientes do SUS todos os dias, inclusive pessoas em tratamento de câncer. Muitas vezes, o mais cansativo não é o tratamento, é o transporte. E ainda há quem culpe o motorista, mas a responsabilidade pela manutenção é do DNIT”, declarou.

Durante a permanência da equipe no local, a reportagem também conversou com o trabalhador rural Alessandro Martins de Oliveira, morador de Mutum. Ele seguia para Muriaé, onde tinha consulta médica marcada, quando o veículo apresentou problemas após passar por um buraco. “Eu tinha consulta às 10h40 em Muriaé e ainda estou aqui. Tirei fotos do que aconteceu para não perder a viagem. A gente se sente desvalorizado. Não é só o meu carro. Há vários veículos parados”, relatou.

Alessandro afirmou que a situação compromete o acesso a tratamentos. “Muita gente passa por aqui para consulta, quimioterapia, radioterapia. Por causa de um buraco, a pessoa pode perder o atendimento. Peço que os responsáveis organizem e façam o reparo, não só por mim, mas por todos que dependem dessa rodovia”, concluiu.

Procurado pela reportagem do Tribuna do Leste, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que, mesmo após a realização de operação tapa-buracos no km 46 da BR-262/MG, o volume de chuvas no período tem provocado o surgimento de novos buracos no pavimento do trecho Em nota, o órgão informou ainda que aguarda a diminuição das precipitações para executar novamente os serviços necessários à correção do problema.

Danilo Alves – Tribuna do Leste

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