
Os cafeicultores resistiram ao pedido da indústria afirmando que há divergências nos números de estoques apontados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), de 2,2 milhões de sacas de 60 kg. Agora, o ministro da agricultura Blairo Maggi decidirá sobre a autorização ou não da importação.
“Trabalhamos muito para chegar a uma convergência entre o setor e a indústria porque os dois campos são importantes. O Ministério da Agricultura defende o produtor, mas entende que a indústria é importante porque ela consome e vende lá fora o produto com valor agregado, mas infelizmente não se chegou a um consenso. Vamos encaminhar ao ministro Blairo o levantamento, relatar o que aconteceu aqui e a decisão será do governo”, disse o secretário de Política Agrícola do Mapa, Neri Geller, após a reunião. “Se liberar, o setor pode ter certeza que será feito com critérios rigorosos”, pondera.
O ministro Blairo Maggi já indicou no ano passado ao jornal Valor Econômico que é favorável à importação do grão. Ele chegou a pedir a liberação à Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão do Ministério do Desenvolvimento, mas retraiu diante do pedido do setor produtivo e solicitou o levantamento dos estoques no país pela Conab.
Maggi não participou da reunião porque está em missão internacional para participar da 9ª Conferência de ministros do Fórum Global para a Alimentação e Agricultura, da reunião dos ministros da Agricultura de países integrantes do G-20. Depois vai ao Parlamento Europeu e à uma conferência nos EUA com foco na América Latina.
Representantes da indústria pleiteiam a importação de 200 mil sacas mensais desde o fim do ano passado, no período compreendido entre janeiro e maio, volume que seria isento da tarifa de importação. Acima disso, seria aplicada a Tarifa Externa Comum (TEC) de 35%. Os cafés poderiam ser importados de países como o Vietnã e Indonésia.
Os números levantados pelos setores do café conilon apontam um estoque de 500 mil sacas disponíveis na Bahia, 200 mil sacas disponíveis em Rondônia e um pouco mais de 3 milhões de sacas no Espírito Santo. Portanto, o número da Conab não representa nem 1/3 da realidade apontada.
Fonte: Notícias Agrícolas



