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Segurança no trânsito escolar: risco, responsabilidade e atitudes que salvam vidas

A cena se repete todos os dias: portões abrindo, crianças animadas, muitos carros, motocicletas, vans e pedestres dividindo o mesmo espaço.

É justamente nesse encontro de pressa e distração que mora o risco. A segurança no entorno das escolas começa muito antes da faixa de pedestres: nasce na decisão de sair alguns minutos mais cedo, respeitar o limite indicado, não parar em fila dupla, usar o cinto e a cadeirinha adequados e combinar com as crianças regras simples de travessia. Parece pouco, mas salva vidas.

Pais e responsáveis têm papel direto. Estacionar corretamente, abrir as portas do lado da calçada, dar a mão à criança e evitar o celular durante a condução diminuem drasticamente as chances de acidente. Para quem utiliza transporte escolar, vale checar documentação, manutenção do veículo e conduta do motorista.
Do lado das escolas, organização é tudo: filas de embarque e desembarque bem sinalizadas, horários escalonados quando possível, monitores treinados, campanhas regulares de educação para o trânsito e diálogo constante com a comunidade do entorno para reduzir conflitos.

O poder público precisa fazer a sua parte com engenharia e fiscalização. Sinalização clara, pintura conservada, iluminação, faixas elevadas, lombadas bem posicionadas, ilhas de refúgio e presença de agentes nos horários de pico transformam o ambiente.

Pequenas intervenções urbanas podem reduzir a velocidade média e aumentar a atenção de quem dirige. E quando a regra é desrespeitada – fila dupla, parada em local proibido, avanço de sinal – a multa não é um castigo aleatório, é um lembrete de que no trânsito cada escolha tem consequência coletiva.

Educação, fiscalização e responsabilidade compartilhada: esse é o tripé. A escola pode levar o tema para a sala de aula; as crianças são ótimas em cobrar o cinto, o capacete, o respeito à faixa. Pais podem se organizar em escalas de carona e grupos de caminhada supervisionada. Comerciantes da região ajudam a manter a frente das lojas livre e sinalizada.

E o motorista, seja pai, professor ou vizinho, precisa lembrar que, em frente à escola, a pressa do adulto nunca vale mais que a segurança de uma criança. Atitude salva vida. No próximo início de aula, escolha ser o exemplo.

 

Carlos Souza – Delegado Regional de Polícia Civil

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