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Cadela atropelada fica dois dias sem socorro e caso reacende debate sobre maus-tratos em Manhuaçu

Um caso de maus-tratos e falta de socorro a um animal, registrado no último fim de semana em Manhuaçu, trouxe novamente à tona a discussão sobre a responsabilidade da população em situações envolvendo animais feridos. Uma cadela foi atropelada na BR, nas proximidades do Burger King, e permaneceu por cerca de dois dias caída atrás de um ponto de ônibus, exposta à chuva e sem atendimento adequado.

Segundo relatos, várias pessoas passaram pelo local. Algumas tentaram amenizar o sofrimento do animal oferecendo água e ração, mas ninguém conseguiu realizar o resgate imediato. Quando uma equipe de proteção animal foi acionada e conseguiu prestar socorro, já no domingo à noite, o estado da cadela era grave.

A voluntária do Grupo de Proteção Bicho Bacana, Telma Freitas, relatou que o animal não resistiu. De acordo com ela, a cadela sofreu uma parada cardíaca durante a madrugada e morreu. Antes disso, foram realizados procedimentos como raio-x, ultrassom, hemograma e administração de medicação. Ela destacou que os resgates feitos pelo grupo geralmente envolvem casos complexos, como animais atropelados ou em estado crítico.

Telma também afirmou que, apesar de receber ajuda do poder público desde 2022, os recursos não são suficientes para cobrir os custos da ONG. Segundo ela, o gasto médio mensal é de cerca de R$ 15 mil, enquanto os valores recebidos por meio de emendas ao longo dos anos não conseguem suprir as despesas anuais. Para manter as atividades, o grupo realiza ações como rifas, vaquinhas, venda de camisetas, bazares e participação em eventos.

A voluntária Amanda Sattler reforçou que o atropelamento sem prestação de socorro também configura maus-tratos. Ela orienta que, em situações como essa, a população deve prestar assistência ao animal, buscar atendimento e, sempre que possível, coletar informações como placa do veículo e imagens de câmeras próximas.

Amanda também destacou que o abandono de animais ocorre tanto em áreas urbanas quanto em rodovias da região, e ressaltou a importância da conscientização sobre a castração como forma de reduzir o número de animais abandonados. Segundo ela, os custos de procedimentos veterinários, especialmente cirurgias ortopédicas, são elevados, o que dificulta ainda mais o trabalho das entidades de proteção animal.

Lorena Correia – Tribuna do Leste

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