CidadeDestaqueEducaçãoRegional

Adolescentes de 13 a 17 anos têm apresentado estado de saúde mental preocupante nas escolas

Uma pesquisa recente divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que adolescentes brasileiros entre 13 e 17 anos têm apresentado sinais de sofrimento psicológico. O levantamento mostra que jovens demonstram indícios de que podem causar machucados auto-infligidos, com níveis mais elevados entre meninas. Nas escolas, a situação pode ser agravada por casos de bullying e pela pressão enfrentada por estudantes em idade de vestibular.

Na região de Manhuaçu, a Superintendência Regional de Educação, por meio do Núcleo de Acolhimento Educacional (NAE), acompanha o cenário. A assistente social da superintendência, Glenda Miranda, afirma que o quadro nacional também é percebido nas escolas locais. Segundo ela, há presença de ansiedade e tristeza entre adolescentes, ao mesmo tempo em que há maior abertura para diálogo por meio das redes sociais e maior disponibilidade das escolas para escuta.

Glenda Miranda aponta ainda fatores como a ausência de apoio familiar, em função da rotina de trabalho das famílias, e o uso da internet e das mídias, que podem influenciar o comportamento dos jovens. Ela destaca a importância da presença e do diálogo familiar.

Sobre a atuação das escolas, a assistente social afirma que a escuta qualificada é uma das principais estratégias, com observação e acompanhamento dos alunos. O núcleo atua como ponte entre a escola, especialistas, famílias e estudantes, com o objetivo de compreender as demandas e orientar os envolvidos.

A psicóloga do Núcleo de Acolhimento Educacional, Clara Miranda, reforça que o ambiente escolar deve ser baseado em diálogo, escuta, vínculo e respeito, com fortalecimento da relação entre aluno, escola e família. Ela afirma que há avanços, mas que ainda há necessidade de ampliação das equipes multiprofissionais, com psicólogos e assistentes sociais, além de capacitação dos profissionais e trabalho em rede.

A psicóloga explica que os atendimentos começam com um diagnóstico no início do ano letivo para identificar as demandas da escola. A partir disso, são desenvolvidas ações coletivas de prevenção, com temas como bullying, comunicação não violenta e tipos de violência. Segundo ela, não há atendimento clínico individual, sendo o trabalho voltado ao coletivo, com reuniões com famílias, professores, direção e especialistas. Casos específicos são encaminhados para a rede de serviços do município, que inclui saúde, assistência social, conselho tutelar e judiciário.

Em casos de necessidade de apoio em saúde mental, a orientação é procurar atendimento em unidades do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), Unidades Básicas de Saúde ou entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida, pelo telefone 188.


Lorena Correia – Tribuna do Leste

Mostrar mais

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo