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Aumento no preço do combustível pode afetar lucratividade dos produtores de café da região

O aumento nos preços da gasolina e do diesel ao longo do mês de abril já começa a impactar produtores rurais em Manhuaçu e na região. A elevação dos combustíveis pode influenciar diretamente os custos da produção de café, inclusive na colheita prevista para 2026, com reflexo na margem de lucro dos produtores.

De acordo com o coordenador técnico regional da EMATER, Thiago Braga, toda a cadeia produtiva depende do uso de combustível, desde o manejo dentro das propriedades até o transporte para os pontos de venda. Segundo ele, o impacto já é percebido no período de pré-colheita, principalmente no aumento do custo de hora-máquina. Nesse momento, produtores realizam a limpeza de estradas e carreadores, atividades que exigem uso de equipamentos movidos a combustível.

Na fase de colheita, o uso de máquinas também pode sofrer impacto. Trabalhadores que utilizam equipamentos para a colheita podem repassar o aumento dos custos, o que pode influenciar o valor cobrado por medida ou por balaio de café. Além disso, o transporte interno dentro das propriedades e o deslocamento até os locais de comercialização também tendem a ficar mais caros.

Thiago Braga destaca que o uso de máquinas não deve ser reduzido, mesmo com o aumento dos combustíveis. Segundo ele, os custos devem ser absorvidos pelos produtores ou repassados em parte nos serviços contratados. Ele afirma ainda que o impacto atinge produtores de todos os portes, sem distinção entre pequenos, médios ou grandes.

Em relação à produtividade, a avaliação é de que não deve haver alteração, já que os tratos culturais, como a adubação, já foram realizados. No entanto, a qualidade do café pode ser afetada caso não haja planejamento adequado. O coordenador explica que, ao tentar reduzir custos com transporte, o produtor pode adotar práticas que comprometam o processo, como deixar o café por mais tempo na roça antes de levá-lo ao terreiro, o que pode causar perda na qualidade.

Como forma de reduzir os impactos, a orientação é investir em planejamento. A organização da colheita, a otimização de fretes e a redução de viagens sem programação são medidas que podem contribuir para diminuir os custos. O planejamento também envolve o uso mais eficiente dos veículos, tanto dentro das propriedades quanto nos deslocamentos externos.

Segundo o coordenador, o aumento dos combustíveis não tem refletido no preço do café no mercado. Com isso, o produtor passa a ter custos maiores sem aumento no valor de venda, o que reduz a margem de lucro. A tendência, de acordo com ele, é que o impacto seja absorvido pelo produtor, tornando o planejamento das atividades ainda mais necessário para evitar perdas no resultado final.

Lorena Correia – Tribuna do Leste

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