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Segurança Pública e Cidadania: Maioridade, da proteção ao rigor da lei, o desafio de preparar nossos jovens

No programa Segurança Pública e Cidadania deste domingo, eu, Carlos Souza, delegado de polícia, convido você a refletir sobre um momento decisivo na vida de nossos jovens: a transição da adolescência para a maioridade.

Completar 18 anos não é apenas uma data comemorativa, não é apenas uma festa ou um marco simbólico. É, sobretudo, uma mudança profunda de status jurídico e social. Até então, o adolescente está sob a proteção do Estatuto da Criança e do Adolescente. A partir dali, passa a responder plenamente pelos seus atos perante o Código Penal. Em outras palavras, deixa-se a proteção da lei para entrar no rigor da lei.

O problema é que muitos jovens chegam a essa fase sem a devida preparação. Criados, muitas vezes, dentro de um ambiente familiar protetivo, sob orientação constante dos pais, eles se deparam, de forma abrupta, com um mundo que exige responsabilidade, autocontrole e consciência das consequências.

Situações que parecem banais ou “brincadeiras” podem rapidamente ultrapassar limites. Um trote universitário que foge do controle pode se transformar em crime. Um flerte mal interpretado ou conduzido sem respeito pode resultar em uma acusação grave de violência sexual. E essas não são hipóteses distantes — são realidades que chegam diariamente às delegacias e aos tribunais.

O mais preocupante é que essas atitudes, muitas vezes impensadas, podem marcar toda a vida de um jovem. Um processo criminal no início da vida adulta pode comprometer carreira, estudos e oportunidades futuras, criando um peso que será carregado por anos, ou até por toda a vida.

Por isso, é fundamental que pais, educadores e a própria sociedade assumam um papel ativo nesse processo de transição. Não basta proteger durante a infância e adolescência — é preciso preparar para a responsabilidade. É necessário dialogar, orientar, esclarecer limites e, principalmente, ensinar que liberdade e responsabilidade caminham juntas.

Vivemos também uma mudança cultural significativa. Aquilo que há 10 ou 15 anos era visto como aceitável, hoje pode ser considerado crime. As relações sociais evoluíram, e o respeito ao outro — em todas as suas dimensões — tornou-se um pilar essencial da convivência.

A maioridade, portanto, não começa no dia do aniversário. Ela precisa ser construída ao longo do tempo, com informação, diálogo e consciência.

Se queremos uma sociedade mais justa e segura, precisamos começar por preparar melhor nossos jovens para essa nova etapa. Porque ser adulto não é apenas ter direitos — é, sobretudo, saber lidar com as consequências de cada escolha.

E essa é uma responsabilidade de todos nós.

 

Coluna Segurança Pública e Cidadania com Delegado de Polícia Carlos Souza

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