Segurança Pública e Cidadania: Delegado Carlos Souza aborda enfrentamento à violência contra crianças no Maio Laranja
Neste mês de maio, conhecido como Maio Laranja, convido você a olhar para uma das formas mais cruéis e silenciosas de violência: a violência sexual contra crianças e adolescentes.
E precisamos começar com uma verdade dura: as crianças e os adolescentes são, sim, as maiores vítimas desse tipo de violência no Brasil — e, ao mesmo tempo, são as menos ouvidas.
Por quê? Porque muitas vezes não têm idade ou discernimento para entender o que estão sofrendo. Porque não têm meios de pedir ajuda. E, principalmente, porque essa violência acontece, na maioria das vezes, dentro de casa, praticada por pessoas próximas — por quem deveria proteger.
Isso cria um cenário extremamente grave: a chamada cifra negra, ou seja, a enorme quantidade de casos que nunca chegam ao conhecimento das autoridades.
Enquanto a sociedade avançou — e isso é justo — na construção de redes de proteção à mulher, precisamos reconhecer que ainda falhamos com nossas crianças. Crianças de 2, 3, 5, 7 anos são abusadas dentro do ambiente doméstico, e esses crimes permanecem invisíveis. Invisíveis hoje, mas com consequências profundas no futuro: traumas psicológicos, sofrimento emocional e marcas que acompanham toda a vida.
E aqui cabe uma reflexão: se a violência doméstica já é devastadora para um adulto, imagine para uma criança que não tem voz, não tem autonomia e, muitas vezes, depende justamente de quem a agride.
Por isso, este mês não pode ser apenas simbólico. Ele precisa ser um chamado à ação.
Precisamos discutir — sem rodeios, sem superficialidade — como dar voz às nossas crianças. Como criar mecanismos reais de proteção. Como fortalecer o papel da escola, da sociedade, e também enfrentar uma verdade difícil: muitas vezes, o problema está dentro da própria família.
É urgente pensar em políticas públicas mais eficazes, em uma rede de proteção robusta e, se necessário, em novas legislações que coloquem a criança no centro da proteção do Estado e da sociedade.
Proteger nossas crianças não é uma opção. É um dever coletivo.
Neste Maio Laranja, que a gente não apenas fale — mas que a gente aja. Que a gente escute mais. Que a gente proteja mais. Porque garantir a segurança de uma criança hoje é garantir o futuro de toda a nossa sociedade amanhã.
Quadro Segurança Pública e Cidadania com Delegado Carlos Souza



