A Paróquia de São Lourenço promoveu, na tarde deste domingo (17), em Manhuaçu, o primeiro encontro de Catequese Inclusiva voltado à formação de catequistas e ao debate sobre acolhimento de pessoas com transtornos do neurodesenvolvimento e outras situações de vulnerabilidade social. O encontro reuniu catequistas, famílias e profissionais da área da saúde e da educação para discutir formas de inclusão dentro da comunidade religiosa e também no convívio social.
A coordenadora da catequese paroquial, Olívia Pesso, destacou que o aumento no número de crianças com diferentes necessidades tem exigido mais preparo dos catequistas. “Todo ano a gente tem recebido muitas crianças com algum tipo de problema relacionado a essas atipias. E essas famílias merecem todo o cuidado e atenção. Muitas vezes, nós somos catequistas, mas não temos formação nenhuma em relação a isso. Então, hoje, pela primeira vez aqui, a Dra. Mariana Silotte, que é neuropediatra, está conosco também, é catequista e ela tem estudado muito esse tema. E a Érica, que é psicopedagoga, e elas trabalham muito essa questão”, afirmou.
Segundo Olívia, a proposta é ampliar o acolhimento dentro da igreja e fortalecer o trabalho junto às famílias. “Nós temos relatos maravilhosos de mães que achavam que os filhos nunca iriam conseguir estar no meio das pessoas, participar como eles fazem hoje. Então, para nós é uma satisfação muito grande enquanto catequista de estar levando essa informação, de estar aprendendo a cada dia mais”, disse.
Ao falar sobre a importância da inclusão no contexto social, Olívia afirmou que o tema vai além do ambiente religioso. “Nós precisamos incluir as pessoas na rua, na igreja. Nós não podemos ter o olhar pro outro de preconceito, de achar que aquela pessoa, por ter aquele problema, ela é uma pessoa que não possa estar perto. É ao contrário, temos que acolhê-la e estar perto sempre junto com ela”, declarou.
A psicopedagoga, mãe atípica e catequista da paróquia, Érica de Souza Brito, explicou que o encontro foi motivado pelo aumento da procura de famílias com crianças diagnosticadas com transtornos como TDAH, autismo, TOD e síndrome de Down. “Nós vimos a importância de passar uma formação para as catequistas, falando de cada transtorno, de como lidar, de como incluir essas crianças na catequese, trabalhar as famílias também”, explicou.
Ela ressaltou que o encontro abordou a inclusão de forma ampla, envolvendo também pessoas em situação de vulnerabilidade. “Nós não vamos falar só de transtornos, nós vamos falar também de uma inclusão de uma forma geral para a nossa paróquia. Nós queremos trazer isso para a nossa igreja. ‘Ele veio morar entre nós’, quem são eles? Eles estão sendo incluídos na nossa comunidade?”, questionou.
A neuropediatra Mariana Silotte, que também atua como catequista na Paróquia São Lourenço, afirmou que a inclusão depende do conhecimento e da compreensão das necessidades de cada pessoa. “A igreja é o lugar que nós mais temos que ser acolhidos. Deus nos acolhe, Jesus nos ensinou a acolher. Então, mais do que nunca, para a gente acolher com qualidade, a gente precisa conhecer. Conhecer os transtornos, conhecer as peculiaridades de cada família, de cada criança”, afirmou.
Segundo a médica, o crescimento no número de diagnósticos reforça a necessidade de ampliar o debate sobre inclusão. “A gente percebe estatisticamente que os números vêm crescendo. A gente vê uma sociedade com mais diagnósticos, com mais crianças com necessidades especiais. Então, é preciso se atentar a isso, é preciso cada vez mais conhecer. Porque é só conhecendo que a gente deixa todo o preconceito de lado e acolhe verdadeiramente”, concluiu.
Danilo Alves – Tribuna do Leste



