CidadeDestaquePolicial

Inquérito apura comportamento possessivo de suspeito em caso de feminicídio em Manhuaçu

A morte de Maria Aparecida Pereira Vieira, de 50 anos, esfaqueada dentro de sua própria residência no bairro São Jorge, no domingo (17), gerou a abertura de um inquérito pela Polícia Civil de Manhuaçu. O caso levanta discussões sobre as linhas de apuração dos crimes de gênero, os antecedentes de violência doméstica e o funcionamento dos mecanismos de prevenção disponíveis para vítimas em situação de risco. Diante da gravidade da ocorrência, a titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), delegada Dra. Adline Ribeiro, detalhou os rumos da investigação e analisou o papel das medidas protetivas no enfrentamento a esse tipo de crime.

Durante o atendimento inicial da ocorrência, equipes da Polícia Militar constataram que o imóvel estava trancado, o que atrasou o acesso ao local. O suspeito foi detido em flagrante e o exame pericial do médico legista constatou que o corpo da vítima apresentava mais de 15 perfurações.

Segundo a Dra. Adline Ribeiro, a linha de investigação inicial trabalha com relatos de comportamento possessivo e paranoico por parte do autor. A apuração apontou que o suspeito alegava de forma recorrente que a vítima estaria monitorando seus passos ou planejando traições, mantendo vigilância sobre as atividades diárias dela. Há também registros e depoimentos no inquérito que indicam o consumo de substâncias entorpecentes por parte do investigado.

Ao verificar o histórico dos envolvidos na unidade policial, constatou-se que a vítima já havia solicitado intervenção legal anteriormente. A delegada explicou que, em 2017, Maria Aparecida havia feito um registro de ameaça, alegando que o companheiro não estava conformado com a separação. Contudo, ainda no mesmo ano, ela reatou o relacionamento e, com isso, a medida protetiva que havia requerido acabou sendo revogada. Após esse período, nenhum outro registro foi contabilizado na delegacia.

A autoridade policial destacou que os dados estatísticos do município de Manhuaçu correlacionam diretamente a ausência de medidas protetivas vigentes com os desfechos fatais em casos de violência doméstica, uma vez que o monitoramento e as restrições impostas pela lei servem como ferramentas de dissuasão e proteção. O inquérito policial segue em andamento na Delegacia Especializada, com previsão de conclusão para os próximos dias, quando será encaminhado ao Poder Judiciário.

Danilo Alves – Tribuna do Leste

Mostrar mais

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo
murni189
togel online
murni189
togel online
murni189
togel online
murni189
togel online