
A Prefeitura de Manhuaçu, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, divulgou o resultado do segundo Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) de 2026. Os dados coletados em maio apontam uma redução significativa na presença do vetor no município em comparação ao início do ano. No entanto, as autoridades de saúde alertam que o cenário ainda exige atenção redobrada da população, especialmente em bairros específicos da zona urbana.
Índices em queda e Grau de Risco
O Índice de Infestação Predial (IIP) geral de Manhuaçu para o Aedes aegypti consolidou-se em 1,4%. Com esse resultado, o município é classificado em Médio Risco para a transmissão de arboviroses como Dengue, Zika e Chikungunya, situando-se na faixa que vai de 1,1% a 3,9%. Isso significa que, a cada 100 imóveis visitados pelos agentes de endemias, foram encontrados focos de larvas em pouco mais de um.
A amostragem de maio traz um panorama muito mais positivo do que o registrado no primeiro LIRAa do ano, realizado em janeiro, quando o IIP municipal estava em 2,1%. A variação representa uma diminuição de 33,33% na infestação predial ao longo de quatro meses. Outro indicador importante, o Índice de Breteau (IB) — que mede a quantidade total de depósitos positivos —, despencou 43,33%, caindo de 3% para 1,7%.
O coordenador da Vigilância Ambiental de Manhuaçu, Leonardo Mota de Sales, avalia o momento com cautela e destaca o empenho das equipes de campo. “Essa redução expressiva de mais de 33% nos índices prediais é reflexo direto do trabalho intensivo de bloqueio de transmissão, das visitas domiciliares e dos mutirões de limpeza que realizamos desde o início do ano. O resultado mostra que estamos no caminho certo, mas o Médio Risco nos impede de relaxar. O combate ao mosquito é uma ação diária que divide responsabilidades entre o poder público e o cidadão.”
Centro e bairros vizinhos concentram maior risco
Embora a média da cidade dê sinais de controle , o LIRAa revela uma realidade desigual quando os dados são analisados por regiões. O Estrato 2 desponta como a área de maior preocupação sanitária no município, registrando um IIP isolado de 2,6% e um Índice de Breteau de 3,3%. Esse agrupamento engloba os bairros Centro, Nossa Senhora Aparecida, São Francisco de Assis, Alfa Sul, São Vicente, Santana, Baixada, Pouso Alegre e Santa Terezinha.
Em contrapartida, o Estrato 3 — que reúne localidades como Sagrada Família, Petrina, Coqueiro, Catuaí, Operários, Colina Pinheiro, Matinha, Bom Pastor e Engenho da Serra — apresentou uma situação confortável de baixo risco, com infestação fixada em apenas 0,4%.
Os principais vilões: Onde o mosquito se esconde?
O levantamento também mapeou os tipos de recipientes onde as fêmeas do mosquito estão depositando seus ovos, evidenciando que o comportamento dos focos muda drasticamente dependendo da localidade. No Centro e demais bairros do Estrato 2, o maior gargalo está nos depósitos de água ao nível do solo, como tambores, tonéis e cisternas mal vedadas, que respondem por 43% dos focos encontrados. Em seguida, o lixo doméstico e materiais descartáveis acumulados em quintais aparecem com cerca de 36% das ocorrências nessa mesma região.
Já nos bairros do Estrato 1, que inclui áreas como Santa Luzia e São Jorge, o problema principal recai sobre os depósitos móveis, representados por vasos de plantas, pratos e bebedouros de animais domésticos, somando 43% dos registros locais.
O fator sazonal
Historicamente, o mês de maio marca o início de um período epidemiológico mais brando na região leste de Minas Gerais. A chegada do outono e a proximidade do inverno trazem a redução das temperaturas e a estiagem. Esse fator climático é determinante para desacelerar o ciclo biológico do mosquito, que leva mais tempo para se desenvolver da fase de larva até a fase adulta.
De acordo com a Vigilância Ambiental, essa “trégua” da natureza deve ser aproveitada estrategicamente pela população para eliminar criadouros permanentes, garantindo que o município chegue ao próximo período chuvoso em uma situação ainda mais segura.
SECOM Prefeitura de Manhuaçu



