Após o recente caso de feminicídio registrado em Manhuaçu, voltou à tona a discussão sobre a importância da prevenção e do combate à violência doméstica. Além do atendimento emergencial realizado pela Polícia Militar, o município conta com o trabalho da Rádio Patrulha de Proteção à Mulher, serviço que acompanha vítimas e atua na prevenção de novas agressões.
A sargento Mayara, integrante da equipe da Rádio Patrulha, explicou que alguns sinais podem indicar o início de um relacionamento abusivo. Entre eles estão o controle excessivo sobre roupas, amizades, locais frequentados, convivência familiar e ciúmes relacionados ao ambiente de trabalho ou à vida social da vítima.
Segundo a militar, outro fator que chama atenção é o medo constante demonstrado pela mulher em relação ao agressor. Muitas vítimas relatam receio de denunciar por medo de represálias ou ameaças feitas pelo autor da violência.
Ela explicou ainda que o acompanhamento da Rádio Patrulha começa a partir do momento em que a vítima realiza a denúncia. Após o registro da ocorrência, os casos considerados mais graves passam a ser acompanhados pela equipe, que realiza contato direto com a vítima, orientações sobre medidas protetivas e informações relacionadas à Lei Maria da Penha. O acompanhamento também envolve orientações ao autor da agressão e costuma durar cerca de dois meses.
Em Manhuaçu, o último caso de feminicídio consumado havia sido registrado há aproximadamente quatro anos e cinco meses. O segundo caso ocorreu no dia 17 de maio.
O comandante da Rádio Patrulha de Proteção à Mulher, sargento Ailton, destacou que o trabalho desenvolvido pela equipe é essencialmente preventivo e busca conscientizar mulheres, familiares e a sociedade sobre a importância de romper o ciclo da violência.
Ele ressaltou que o caso recente registrado no bairro São Jorge serve de alerta para que vítimas e testemunhas procurem os órgãos oficiais antes que a situação evolua para uma tragédia.
O militar reforçou a importância de denunciar casos de violência doméstica através do telefone 190 da Polícia Militar ou pelo 180, canal nacional de atendimento à mulher.
Segundo ele, muitas mulheres inseridas no ciclo da violência acabam sem condições físicas e psicológicas de pedir ajuda, tornando fundamental o apoio de familiares, amigos, vizinhos e da sociedade em geral para identificar sinais de abuso e acionar as autoridades competentes.
Ana Flávia Domingos – Tribuna do Leste



