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Cidades da região ficam em posições médias no ranking de Índice de Progresso Social

Foi divulgado na última semana o Índice de Progresso Social (IPS) brasileiro, documento que avalia a qualidade de vida da população dos municípios com base em indicadores como saneamento, educação, acesso à moradia e oportunidades. O levantamento apontou Minas Gerais entre os estados com melhor desempenho do país.

A cidade de Manhuaçu ficou na posição 1482 somando 63,4 pontos no ranking, quase 10 pontos a menos que a cidade líder, Gavião Peixoto, em São Paulo. A cidade da Zona da Mata melhor colocada foi Muriaé, com 67,9 pontos na posição 322 do ranking.

Segundo o doutor em ciências sociais Igor Rodrigues, um dos fatores que ajudam a explicar o resultado é a quantidade de municípios mineiros. “Minas Gerais tem muitas cidades pequenas e as cidades pequenas foram melhores avaliadas”, afirmou. Ele também destacou a destinação de emendas impositivas aos municípios como outro fator que contribuiu para a melhora dos indicadores.

Apesar do resultado positivo no cenário estadual, Igor Rodrigues ressaltou que Minas Gerais ainda convive com desigualdades regionais. “Você tem logo aqui o Vale do Mucuri e do Jequitinhonha, que ainda têm bolsões de pobreza extrema, pobreza e miséria”, explicou. Segundo ele, o índice apresenta uma média geral, mas diversas cidades ainda enfrentam problemas relacionados à desigualdade social e à vulnerabilidade.

O pesquisador destacou ainda que desenvolvimento econômico não representa, necessariamente, progresso social. “Nós temos cidades que têm dinheiro, que têm produção, que têm PIB, mas existe uma desigualdade”, disse. Ele citou municípios da região ligados à produção cafeeira, onde a riqueza produzida, segundo ele, não alcança toda a população.

De acordo com Igor Rodrigues, o Índice de Progresso Social considera fatores ligados ao bem-estar da população, como acesso ao saneamento básico, educação, saúde, segurança alimentar e meio ambiente equilibrado. Para ele, políticas públicas voltadas à educação básica, proteção social, planejamento urbano e saúde são as que mais impactam os resultados do levantamento.

Ao comentar o desempenho de cidades da região, como Manhuaçu e Caratinga, que aparecem em posições intermediárias no ranking, o cientista social apontou desafios ligados à estrutura urbana e à desigualdade social. “Nós ainda convivemos com uma imensa desigualdade social, apesar de termos uma riqueza”, afirmou.

Igor Rodrigues também destacou que o crescimento acelerado de municípios da região trouxe impactos na infraestrutura urbana. “Moradias que vão sendo construídas em lugares inapropriados, saneamento básico que não consegue chegar e acessibilidade são questões que vão abaixando o nosso índice”, explicou.

Para o pesquisador, o levantamento deve ser utilizado pelas prefeituras como ferramenta de análise e planejamento. “Esse índice precisa ser levado a sério, mas não é só no ranking. É uma análise crítica dos pontos que a gente pode melhorar”, concluiu.

Lorena Correia – Tribuna do Leste

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