Moradores e líderes comunitários de diversos distritos de Manhuaçu reuniram-se com representantes da Concremat, empresa terceirizada da concessionária EcoRioMinas, para discutir os impactos ambientais e estruturais das obras de duplicação da BR-116. O encontro, que contou com a participação do Conselho das Associações de Moradores de Manhuaçu (COAMMA) e do Sindicato dos Produtores Rurais, teve como objetivo coletar dados para a elaboração de um diagnóstico ambiental na região.
Durante a reunião, foram apresentadas demandas de localidades como Dom Corrêa, Vila Nova, Realeza, São Sacramento, Vila de Fátima e Córrego Soledade. Entre os problemas relatados pelos moradores estão a poluição decorrente da queima de palha de café às margens da rodovia e o risco de queda de árvores de grande porte, como eucaliptos, sobre a pista.
No entanto, o ponto central do debate foi a restrição de acesso à rodovia principal. Segundo a presidente do COAMMA, Marinez Bragança, a concessionária já realizou o fechamento de acessos em determinados trechos, o que tem gerado insatisfação na comunidade local. “A grande preocupação mesmo da população foi sobre o acesso à BR-116. Em alguns pontos, a EcoRioMinas já obstruiu esse acesso, e é uma coisa muito preocupante que precisa ser resolvida. A EcoRioMinas precisa estar atenta à demanda da comunidade, porque a duplicação tem que trazer progresso, e não divisão”, afirmou Marinez.
A líder comunitária ressaltou que a falta de acessibilidade afeta diretamente o deslocamento para os distritos, córregos e empresas sediadas às margens da rodovia. A segurança viária e a redução de acidentes também foram pautadas, com destaque para trechos considerados críticos, como as proximidades de São Pedro. Os participantes cobraram a instalação de mecanismos para controle e redução da velocidade dos veículos.
O tráfego de maquinários e veículos agrícolas, intensificado durante o período de safra cafeeira, foi outra preocupação apresentada pelos produtores rurais, que dependem da rodovia para o escoamento da produção.
De acordo com o COAMMA, a expectativa é que as apostas feitas pela comunidade sejam integradas ao programa de educação ambiental e ao plano de execução das obras da concessionária. “Nós precisamos de uma contrapartida da EcoRioMinas. Daí a importância desse levantamento. Não é só chegar na nossa cidade, fazer uma obra e não deixar nenhum benefício social. Nós precisamos desse retorno, e isso foi questionado também e esperamos que seja incluído no projeto”, concluiu a presidente do conselho.
Danilo Alves – Tribuna do Leste



