ColunistasDestaqueDr. Carlos Roberto Souza

Segurança Pública e Cidadania: A complacência com as drogas e o silêncio da prevenção

Olá, eu sou o delegado Carlos Souza, e hoje quero tratar de um problema que parece crescer silenciosamente em nossa sociedade: a complacência com o consumo de drogas ilícitas e o enfraquecimento das campanhas de prevenção.

Aparentemente, o aumento do número de consumidores, aliado à presença cada vez maior de pessoas tolerantes ou indiferentes aos riscos do vício, vem produzindo uma espécie de acomodação social. Como se falar contra o consumo de drogas fosse exagero, preconceito ou inconveniência.

Essa tolerância parece estar contaminando também os espaços onde a prevenção deveria ser mais firme e permanente.

Nas escolas, pouco se debate sobre os danos físicos, psicológicos, familiares e sociais causados pelas drogas. Nas universidades, muitas vezes o tema é tratado apenas sob aspectos políticos, jurídicos ou ideológicos, deixando-se em segundo plano a realidade concreta da dependência e da destruição de vidas.

Nas entidades religiosas, nos clubes, nas associações, nas empresas e até mesmo dentro das famílias, o assunto frequentemente é evitado. Fala-se de inúmeros temas relevantes, mas pouco se conversa com clareza sobre o vício, a perda da autonomia, a deterioração da saúde mental, o abandono dos estudos, a perda do trabalho, os conflitos familiares e a ruptura de projetos de vida.

Não se trata de perseguir, humilhar ou abandonar quem sofre com a dependência química. O dependente precisa de acolhimento, tratamento e oportunidades de recuperação. No entanto, acolher não significa normalizar o consumo nem silenciar diante de seus malefícios.

Quando a sociedade banaliza o uso de drogas, também enfraquece a percepção de que o consumo alimenta o tráfico. E o tráfico, por sua vez, financia armas, organizações criminosas, disputas territoriais, homicídios, roubos, corrupção e diversas outras formas de violência.

Por isso, a prevenção precisa voltar a ocupar lugar de destaque.

Ela deve começar na infância, com linguagem adequada, avançar pela adolescência e permanecer durante a vida adulta. Escolas, igrejas, clubes, empresas, famílias e instituições públicas devem assumir sua responsabilidade na conscientização.

É preciso recuperar a coragem de dizer que as drogas causam dependência, enfraquecem o ser humano e produzem consequências que atingem toda a sociedade.

O silêncio não protege. A tolerância excessiva não educa. E a complacência com o vício somente favorece aqueles que lucram com a fragilidade humana.

Prevenir também é segurança pública. Informar é proteger. Conscientizar é salvar vidas.

Eu sou o delegado Carlos Souza, e este é o programa Segurança Pública e Cidadania – O que temos com isso?

Segurança Pública e Cidadania com Carlos Souza

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