Em pouco mais de quatro meses, dois acidentes graves registrados no mesmo trecho terminaram com duas vítimas fatais.
O caso mais recente aconteceu no dia 13 de agosto, no quilômetro 34 da BR-262. Uma colisão transversal envolvendo um carro e um caminhão provocou a morte da aposentada Maroni Simão Moreira, de 81 anos.
Ela estava em um Fiat Palio, acompanhada de outras duas pessoas. O veículo realizava uma manobra no trevo quando foi atingido lateralmente por um caminhão.
Maroni foi socorrida em estado grave pelo SAMU e pelo Corpo de Bombeiros e levada para atendimento hospitalar, mas não resistiu aos ferimentos. Os outros dois ocupantes do carro sobreviveram.
Quatro meses antes, no dia 8 de abril, outro acidente de grande repercussão havia ocorrido no mesmo local.
Uma colisão envolvendo dois carros e uma carreta matou Luana Aparecida Gomes, de 40 anos, que estava como passageira de um Fiat Linea.
O acidente começou quando um Volkswagen Polo atravessou o trevo e atingiu a lateral do Linea. Com o impacto, o carro rodou na pista e acabou atingido por uma carreta.
Luana foi socorrida, mas morreu a caminho do atendimento. O motorista do Linea ficou preso às ferragens e sofreu múltiplas fraturas. O condutor do Polo se recusou a realizar o teste do bafômetro e foi encaminhado para a delegacia.
Entre os dois acidentes fatais foram 127 dias.
E esses dois casos ocorreram em um momento de mudança na fiscalização eletrônica da BR-262.
Durante o mês de julho, os radares instalados em trechos da rodovia na região foram retirados.
Em nota, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o DNIT, explicou que a retirada ocorreu por causa da transição de contrato para os serviços de fiscalização eletrônica.
O contrato anterior foi encerrado no dia 2 de julho. Com isso, os equipamentos pertencentes à antiga empresa contratada começaram a ser desmobilizados. Ao todo, 56 equipamentos foram retirados de rodovias federais administradas pelo DNIT. Na BR-262, a mudança atingiu trechos de Manhuaçu, Reduto, Realeza, Abre Campo e Rio Casca.
O órgão informa que os equipamentos antigos serão substituídos gradualmente por novos radares. Antes de entrarem em operação, porém, os novos dispositivos precisam passar por estudos técnicos, instalação da sinalização e aferição pelo Inmetro.
O DNIT também reforça que, mesmo sem a fiscalização eletrônica funcionando, os limites de velocidade continuam valendo e devem ser respeitados pelos motoristas.
A retirada dos radares, portanto, não pode ser apontada como causa dos dois acidentes fatais. Cada ocorrência teve uma dinâmica própria e é investigada pelas autoridades.
Mas a sequência dos fatos levanta uma questão importante: em um trecho que registrou duas mortes em pouco mais de quatro meses, quando a fiscalização eletrônica voltará efetivamente a funcionar?
O DNIT informa que os novos equipamentos serão instalados após o cumprimento de todas as etapas técnicas previstas no contrato, mas ainda não há uma data específica informada para a retomada da fiscalização no Trevo da Zebu.
Enquanto isso, a recomendação aos motoristas é redobrar a atenção, respeitar a sinalização e os limites de velocidade.
Redação Tribuna do Leste



