Segurança Pública e Cidadania: O golpe da falsa influência
Olá, amigos. Eu sou Carlos Souza, Delegado-Geral de Polícia Civil e Chefe da Delegacia Regional de Ponte Nova, e este é o nosso programa Segurança Pública e Cidadania.
Hoje quero fazer um alerta sobre uma prática que merece atenção de toda a sociedade: pessoas que afirmam possuir influência sobre policiais, peritos, delegados, promotores, juízes ou outros agentes públicos e, a partir dessa mentira, pedem dinheiro para supostamente interferir em investigações ou processos.
Recentemente, tivemos em Ponte Nova um caso bastante esclarecedor. Durante uma investigação envolvendo um homem preso por tráfico de drogas, uma advogada teria solicitado à mãe dele a quantia de quatro mil reais, afirmando que o dinheiro serviria para pagar um perito da Polícia Civil e impedir que provas existentes em um aparelho celular fossem utilizadas.
A família fez o que qualquer cidadão deve fazer diante de uma proposta dessa natureza: procurou a Polícia Civil.
A investigação foi instaurada, houve cumprimento de mandado de busca e apreensão, análise de aparelhos celulares e realização de perícia. Ao final, ficou absolutamente esclarecido que nenhum perito, delegado, investigador ou qualquer outro servidor da Polícia Civil recebeu dinheiro, pediu vantagem ou participou de qualquer negociação ilícita.
A referência ao suposto perito fazia parte da narrativa utilizada para convencer a família de que seria possível interferir na investigação.
Esse tipo de golpe não é desconhecido. Alguém se apresenta como advogado, engenheiro, policial, servidor público, integrante do Judiciário, Ministério Público, Defensoria ou até mesmo como pessoa politicamente influente e afirma: “eu conheço alguém”, “posso resolver”, “consigo apagar essa prova”, “posso parar essa investigação”.
E então vem o pedido de dinheiro.
Não importa se quem recebe essa proposta é vítima, familiar ou até mesmo pessoa investigada por um crime. Não pague. Procure imediatamente uma autoridade e comunique o fato.
É importante compreender também que uma investigação criminal não depende da vontade isolada de uma única pessoa. Existem delegados, investigadores, escrivães, peritos, sistemas informatizados, registros oficiais, Ministério Público, Poder Judiciário e mecanismos internos e externos de controle. Imaginar que alguém, mediante um simples pagamento clandestino, possa fazer desaparecer uma investigação é justamente a mentira utilizada pelo golpista para obter dinheiro.
No caso de Ponte Nova, a investigação foi concluída, os elementos foram encaminhados ao Ministério Público, houve oferecimento e recebimento de denúncia, e a investigada tornou-se ré, inclusive com imposição judicial de medidas cautelares.
Portanto, fica o alerta: quem pede dinheiro dizendo que pode comprar, corromper ou influenciar uma autoridade pode estar tentando enganar você.
Não negocie. Não pague. Não tenha medo de procurar a Polícia.
Mesmo quem está sendo investigado possui direitos — e um deles é o direito de não ser vítima de criminosos que exploram justamente o medo e a vulnerabilidade daquele momento.
Segurança pública também se faz com informação, confiança nas instituições e coragem para denunciar.
Delegado Carlos Souza



