
CATAGUASES (MG) – A Energisa reuniu jornalistas nesta quinta-feira (10/09), em Cataguases, para um workshop sobre os impactos do El Niño na rede de distribuição de energia elétrica. O encontro foi realizado pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), em parceria com a Climatempo, e abordou eventos climáticos extremos, continuidade do fornecimento e medidas de preparação do setor.
Durante o evento, a empresa apresentou o trabalho realizado pelo Centro de Operações Integradas, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. O local concentra o monitoramento do sistema elétrico, das ocorrências registradas na rede e dos alertas meteorológicos.
O coordenador do Centro de Operações Integradas da Energisa Minas-Rio, Rafael Marçal, explicou que a estrutura conta com 52 operadores. A equipe acompanha as condições da rede e mantém contato com as equipes de campo responsáveis pelos atendimentos.
A empresa também informou que vem acompanhando as previsões climáticas relacionadas ao El Niño desde o fim do ano passado. A expectativa apresentada durante o workshop é de temperaturas acima da média no último trimestre do ano, especialmente entre outubro e dezembro.
De acordo com Rafael Marçal, a previsão mais recente indica 95% de probabilidade de ocorrência de um El Niño classificado como muito forte. Diante desse cenário, a Energisa afirma ter ampliado as ações de preparação.
O plano de contingência da empresa reúne 363 ações nas áreas de operação, manutenção, frota, tecnologia da informação e estrutura. Além disso, foi criado um plano específico para o El Niño, com outras 53 ações envolvendo as distribuidoras do grupo.
A especialista em clima Ana Paula destacou que o cenário exige acompanhamento das atualizações dos modelos meteorológicos e das condições em tempo real. Ela explicou que o fenômeno pode contribuir para temperaturas mais elevadas, ondas de calor e tempestades de maior intensidade.
O aumento das temperaturas também pode elevar o consumo de energia devido ao maior uso de equipamentos de refrigeração. Durante o verão, mesmo com uma tendência de chuvas abaixo da média em algumas regiões, tempestades mais intensas podem provocar elevação do nível dos rios.
Manhuaçu
A situação da região de Manhuaçu também foi abordada durante o encontro. O diretor-presidente da Energisa, Fernando Costalonga, afirmou que a empresa considera as características da área de concessão no planejamento das ações.
A região possui extensas redes rurais e áreas com estradas não pavimentadas, o que pode dificultar o deslocamento das equipes durante períodos de chuva.
Entre as medidas citadas estão a limpeza das faixas próximas às redes elétricas, a substituição de vegetação por espécies de menor porte, a instalação de equipamentos automatizados e o treinamento das equipes de atendimento.
O diretor técnico comercial, Rodolfo Pinheiro, informou que o Centro de Operação de Cataguases acompanha os serviços realizados na rede elétrica de 67 municípios, entre eles Manhuaçu, Ubá, Muriaé e Nova Friburgo.
Segundo ele, a estrutura do plano de contingência foi ampliada ao longo dos anos. Após a tragédia ocorrida em Nova Friburgo, em 2011, a empresa passou a revisar os procedimentos adotados em situações de emergência. O plano, que anteriormente reunia menos de 100 ações, chegou às atuais 363.
A empresa também mantém uma ferramenta de monitoramento climático e acompanhamento das previsões para auxiliar na preparação das equipes.
Durante o workshop, a Energisa reforçou orientações para moradores e produtores rurais. A recomendação é manter livre a faixa de servidão das redes elétricas e evitar o plantio de árvores de grande porte nas proximidades dos cabos.
Em casos de árvores em contato com a rede, a orientação é acionar a Energisa para que a poda seja realizada com segurança. Em situações de fios caídos ou rompidos, a população deve manter distância e considerar que o cabo pode estar energizado, acionando a empresa pelos canais de atendimento.
Ana Flávia Domingos – Tribuna do Leste



