Os sintomas da depressão em idosos podem ser confundidos com sinais naturais do envelhecimento, cansaço excessivo, dores no corpo e esquecimentos podem também estar associados a casos de sofrimento psicológico na terceira idade, segundo o médico psiquiatra Marcelo Lima.
O médico explica que o envelhecimento provoca mudanças esperadas, como a redução do ritmo, alterações no sono, mudanças na vontade, reflexões sobre a finitude da vida e as perdas acumuladas ao longo dos anos, mas que essas características, por si só, não caracterizam depressão. De acordo com Marcelo Lima, a depressão é persistente, permanece por semanas e provoca impacto em diferentes áreas da vida do idoso.
Entre os principais sinais estão tristeza profunda, perda do interesse ou do prazer em atividades que antes eram realizadas, alterações no sono, no apetite, na energia e na concentração. No idoso, a depressão também pode se manifestar por meio de sintomas físicos e cognitivos. Dores difusas e sem explicação, irritabilidade, dificuldade de concentração e alterações de memória e atenção podem estar entre os sinais. Por isso, o psiquiatra destaca a importância de diferenciar esses sintomas das mudanças relacionadas ao envelhecimento.
O diagnóstico da depressão é realizado por meio de uma anamnese, coletando o histórico médico, identificando sintomas e hábitos do paciente durante a entrevista psiquiátrica completa. Durante a avaliação, são observados o funcionamento do idoso no dia a dia, o contexto de vida, possíveis perdas, situações de luto e perda de autonomia. O médico explica que, em alguns casos, também são necessários exames para descartar causas clínicas e orgânicas que podem apresentar sintomas semelhantes aos da depressão, como alterações na tireoide e em vitaminas, doenças cardiovasculares e quadros demenciais.
Segundo Dr Marcelo, o tratamento deve ser sempre individualizado e multidisciplinar, respeitando as necessidades de cada paciente. Quando o uso de medicamentos é indicado, o psiquiatra deve considerar as particularidades do organismo do idoso, como o metabolismo mais lento, a maior sensibilidade a efeitos colaterais e a interação com outros medicamentos utilizados pelo paciente.
Além do tratamento medicamentoso, a psicoterapia e as intervenções psicossociais também fazem parte do cuidado. O médico cita ainda a importância da atividade física, da retomada do convívio social e da funcionalidade. “A psicoterapia também é fundamental, e as intervenções psicossociais, ele é uma atividade física, é muito importante, uma retomada do convívio social e da funcionalidade.” afirmou.
Marcelo Lima também chama atenção para a relação entre saúde mental e prevenção do suicídio na terceira idade. Segundo ele, esse período da vida está entre os de maior risco, “a terceira idade, ele é um dos períodos da vida onde tem o maior risco de suicídio, e isso é uma informação que muitas vezes choca a família, porque no imaginário popular a gente pensa que o suicídio ele tá relacionado à juventude, e não, o idoso ele tem grandes riscos também” explica. Segundo o médico, falar sobre suicídio não estimula a prática, para ele, perguntar sobre o assunto de maneira respeitosa e sem tabu pode abrir espaço para que o idoso fale sobre um sofrimento que estava silencioso, “e não existe esse mito, essa ideia de que falar sobre suicídio pode estimular ou plantar essa ideia na cabeça do idoso, muito pelo contrário, a gente questionar sobre isso e falar com respeito e sem um tabu é importante porque vai abrir espaço para ele poder falar sobre um sofrimento que às vezes estava silencioso lá dentro e ele vai se sentir acolhido.” indica Dr Marcelo.
O médico reforça que tristeza profunda, perda de interesse pela vida e falta de prazer não devem ser tratados como falta de força de vontade e que essas situações têm tratamento. Parte do trabalho de prevenção e tratamento é a escuta, tema inclusive da campanha do Setembro Amarelo em 2026: “Escutar é estar presente”. Para Dr Marcelo, escutar sem pressa e acolher o idoso com respeito, dando espaço para que sentimentos e sofrimentos sejam expressos, contribui para a prevenção da depressão na terceira idade e reforça os cuidados com a saúde mental.
Lorena Correia – Tribuna do Leste



