Efeitos do El Niño no clima podem afetar lavouras de café
O fenômeno meteorológico El Niño deve provocar alterações no clima do país. Enquanto no Sul do país a expectativa é de excesso de chuvas, para a região Sudeste, incluindo a Zona da Mata e cidades do entorno, a elevação das temperaturas é apontada como uma das principais preocupações.
As alterações climáticas podem afetar diretamente as lavouras de café da região, exigindo atenção dos produtores para evitar danos às plantas, como doenças e a ocorrência de pragas. O coordenador técnico regional da EMATER, Thiago Braga, explica que o El Niño pode provocar chuvas desreguladas, mesmo que o volume total de chuva esteja dentro do esperado, a distribuição pode ocorrer de forma irregular, com concentração em pancadas, o que pode causar um distúrbio fisiológico na planta, principalmente em relação às floradas.
Outro efeito do El Niño está relacionado às altas temperaturas. O fenômeno pode provocar picos de temperaturas elevadas durante determinados períodos, causando alterações fisiológicas no cafeeiro. Nesses momentos, a planta pode ter dificuldade para trabalhar os nutrientes e ficar paralisada devido às ondas de calor. Esse efeito pode atingir diferentes fases do desenvolvimento do café, segundo Thiago, se a planta estiver no período de floração, essa etapa pode ser afetada, e o mesmo pode ocorrer durante a fase de enchimento dos grãos.
Como identificar uma lavoura afetada?
Entre os sinais de desequilíbrio na lavoura, está a murcha das plantas, de acordo com o coordenador técnico, esse é um dos sinais mais fáceis de identificar e indica problemas relacionados à água. Ele explica que, dependendo da situação, pode haver água disponível no solo, mas o aumento excessivo da temperatura pode dificultar o trabalho da planta para retirar essa água. Dessa forma, a murcha pode ocorrer mesmo quando existe água no solo. Outro sinal são as queimaduras, chamadas no campo de escaldadura, que são lesões provocadas pelas altas temperaturas, que podem causar descoloração das folhas, dando a aparência de que elas foram queimadas.
A combinação entre temperaturas elevadas e umidade também pode afetar o controle de doenças fúngicas. Thiago cita a ferrugem e a cercosporiose como doenças que podem ter o controle prejudicado nessas condições. Além disso, os períodos de temperaturas altas e chuva podem ocorrer diversas vezes, favorecendo diferentes inóculos.
Cuidados com a lavoura
Durante o El Niño, a dinâmica de manejo pode sofrer alterações e doenças fúngicas fora do período habitual. Diante desse cenário, algumas práticas utilizadas pelos agricultores podem ajudar a reduzir os efeitos das alterações climáticas. Thiago orienta que os produtores não deixem a lavoura sem cobertura e trabalhem com roçadas, mantendo a cobertura morta no meio do beco. A prática ajuda a evitar que o sol e as altas temperaturas atinjam diretamente o solo, o que pode provocar o aquecimento das raízes e a perda excessiva de água.
Outro ponto destacado é a adubação. O produtor deve acompanhar o momento adequado para realizar o procedimento, priorizando períodos em que o solo esteja molhado e exista umidade suficiente para favorecer a absorção dos nutrientes.
Impactos na safra
O coordenador técnico regional da EMATER afirma que o El Niño pode ter impacto na safra de café. Caso o fenômeno se confirme com a intensidade projetada, podem ocorrer problemas como chochamento e perda de florada. No entanto, ainda não é possível dimensionar o volume de perdas ou determinar quais regiões serão mais afetadas.
Lorena Correia – Tribuna do Leste



