O número de crianças e adolescentes com sobrepeso passou de 2% na década de 1990 para 8% atualmente. O crescimento da obesidade infantil preocupa a comunidade médica, já que a condição é uma doença crônica e pode desencadear outros problemas de saúde quando não tratada adequadamente.
Entre os fatores associados ao aumento dos casos estão a má alimentação, o sedentarismo e o uso excessivo de telas. Segundo o clínico geral Fábio Araújo, que atua em Manhuaçu, a combinação desses hábitos contribui para o desenvolvimento da obesidade entre crianças e adolescentes. O médico destaca que, além do tempo dedicado à televisão, crianças e adolescentes passaram a utilizar computadores, celulares e redes sociais com frequência e, aliado à redução das atividades físicas e à alimentação inadequada, contribuíram para o aumento do peso.
O médico alerta que a obesidade infantil pode provocar consequências que acompanham a pessoa ao longo da vida, entre os principais riscos está o diabetes, mesmo sem histórico familiar da doença. Outro problema associado é a hipertensão arterial, que pode levar ao aumento da pressão sanguínea ainda na juventude, além disso, o excesso de colesterol no sangue e problemas ortopédicos relacionados ao peso, podem dificultar a rotina da criança e do adolescente, inclusive impactando a mobilidade.
Dr Fábio alerta que os impactos vão além dos físicos, chegando a atingir também atingir a saúde psicológica, principalmente durante a adolescência, o sobrepeso pode gerar vergonha do próprio corpo, levando ao isolamento e à depressão.
Níveis de obesidade já superam da desnutrição
Segundo dados divulgados pela UNICEF no último ano, segundo a entidade, pela primeira vez a obesidade superou a desnutrição como a forma mais prevalente de má nutrição no mundo. De acordo com o relatório, a doença já afeta cerca de 188 milhões de crianças e adolescentes em idade escolar.
Dr Fábio Sá reforça que, embora a desnutrição continue sendo um problema, a alimentação inadequada está entre os fatores que ajudam a compreender essa inversão, apesar do consumo de alimentos ser maior atualmente, a qualidade nutricional deles caiu. O consumo frequente de massas e outros produtos com baixo valor nutricional, associado ao sedentarismo, contribui para esse quadro.
O que fazer ao perceber sinais de obesidade?
A questão da obesidade em crianças e adolescentes tem uma complexidade, o tratamento e prevenção depende também de atitudes dos pais ou responsáveis, desde o exemplo, até ações práticas que, para o médico, precisam começar dentro de casa. Os pais devem demonstrar, na prática, a importância de uma alimentação adequada e da atividade física já que, segundo Dr Fábio, crianças tendem a reproduzir os comportamentos que veem na família, inclusive em relação à alimentação e ao sedentarismo, “Então, eu acho que os pais têm que mostrar isso na prática, porque você pode ver muitas famílias que já são de sobrepeso, são obesos, você vai ver os filhos, eles estão vindo no mesmo ritmo, por quê? Eles estão mirando, eles estão tendo vocês como exemplo. ” explica.
As escolas também têm um papel nesse processo, segundo o médico. Ele defende a adaptação dos cardápios e a revisão dos alimentos comercializados nas cantinas. Para ele, as instituições de ensino não devem vender refrigerantes e precisam avaliar a oferta de salgados, com a orientação de nutricionistas.
A adoção de hábitos alimentares adequados, a prática de atividades físicas e o exemplo dos adultos são medidas apontadas pelo médico como importantes para prevenir o sobrepeso e contribuir para a redução dos casos de obesidade infantil.
Lorena Correia – Tribuna do Leste



