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Manhuaçu completa 149 anos de emancipação e se aproxima dos 100 mil habitantes

Manhuaçu completa, nesta quinta-feira, 5 de novembro, 149 anos de emancipação político-administrativa. Uma história marcada pelo trabalho, pela agricultura, pelo desenvolvimento do comércio e pela contribuição de gerações de moradores. Segundo a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2026, o município tem 98.067 habitantes e está cada vez mais próximo de alcançar a marca de 100 mil moradores.

Manhuaçu ocupa a 38ª posição entre os municípios mais populosos de Minas Gerais e é o quarto maior da Zona da Mata. Em comparação com o Censo de 2022, quando registrava 91.886 habitantes, a cidade teve um aumento de mais de seis mil moradores, crescimento de aproximadamente 6,7%.

Além dos números, a história do município é marcada pelas experiências de quem acompanhou suas transformações. O manhuaçuense Durval Barreira da Silva relembra as características da cidade durante sua infância, quando o transporte e a rotina eram diferentes dos atuais; “Na minha época de criança eu lembro do trem de ferro. Inclusive já viajei nele daqui para o estado do Rio. Parece do trem de ferro que a gente não esquece. Eu gostava muito”, conta. Ele também destaca as mudanças na movimentação urbana ao longo dos anos; “A gente lembra de uma cidadezinha calma. Agora é desse jeito, toda agitada. O desenvolvimento foi bastante”, afirma.

A história de Manhuaçu começou antes da emancipação. A região era habitada por povos indígenas, entre eles os puris, e teve seu desenvolvimento impulsionado pela agricultura. Em 5 de novembro de 1877, a Lei Provincial nº 2.407 criou oficialmente o município, desmembrado de Ponte Nova. A primeira sede administrativa foi instalada em São Simão, atual Simonésia. Em 1881, foi transferida para a Vila de São Lourenço, origem da atual cidade de Manhuaçu. Outro episódio marcante ocorreu em 1896, com a chamada República de Manhuaçu. Após uma disputa política, um movimento liderado por Serafim Tibúrcio da Costa proclamou a independência do município e chegou a criar uma moeda própria, conhecida como Boró. A experiência durou cerca de 22 dias.

Décadas depois, o café consolidou-se como uma das principais riquezas da região. A chegada da estrada de ferro Leopoldina, em 1915, também contribuiu para o desenvolvimento local. Ao olhar para o futuro, a psicóloga Victoria Evelyn Montepó, destaca a importância de ampliar as oportunidades para os jovens e melhorar o acesso da população a serviços e espaços de lazer. Ela afirma que deseja continuar vivendo no município, mas espera que a cidade ofereça mais possibilidades para quem está iniciando a vida profissional; “Espero que as portas de Manhuaçu possam se abrir para esse público jovem, o público que está se formando agora”, ressalta.

Victoria também chama atenção para a necessidade de ampliar o acesso a serviços e oportunidades, especialmente para moradores da zona rural. Segundo ela, Manhuaçu exerce influência regional, mas ainda existem áreas que precisam avançar; “Espero que a gente consiga ampliar o acesso, de modo geral, para a população toda. Inclusive para esses pontos que eu trouxe de lazer”, explica.

A psicóloga deixa ainda uma mensagem para os jovens que pensam em buscar oportunidades em outras cidades; “Eu diria para a gente não desistir da nossa cidade. Todo mundo quer estudar, crescer profissionalmente e buscar coisas melhores. E a gente acaba colocando na nossa cabeça que coisas melhores são fora daqui, em uma cidade grande. Mas eu acredito que a gente tem muito potencial para fazer daqui uma cidade melhor para todos”, afirma.

Com uma população próxima dos 100 mil habitantes, o crescimento de Manhuaçu também traz desafios relacionados ao planejamento, à infraestrutura, à mobilidade urbana, à saúde e à educação. Acompanhar essa expansão é importante para garantir qualidade de vida aos moradores.

São 149 anos de histórias, conquistas e transformações. Da antiga Vila de São Lourenço à cidade que hoje exerce protagonismo regional, Manhuaçu continua construindo seu futuro por meio da participação de sua população e das novas gerações.

Redação – Tribuna do Leste

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