Na edição do último domingo do jornal Tribuna do Leste mostramos a realidade de muitos municípios da região após as fortes chuvas e consequentes enchentes que trouxeram prejuízos à muitas cidades.
Entre elas está Matipó que foi severamente atingida depois que o rio que leva o nome do município transbordou e deixou um rastro de destruição por onde passou. Foram incontáveis prejuízos, especialmente na região central da cidade, tanto que o prefeito Walter Ornelas decretou estado de emergência.
Posteriormente a essa medida iniciou-se o trabalho de limpeza e contabilidade dos estragos. Porém, no domingo, 02, quando a cidade ainda caminhava no seu processo de recuperação, outro problema de grande proporção surgiu. A principal ponte de ligação entre os dois lados da cidade teve que ser parcialmente interditada e esse era o único acesso liberado. “Nossa cidade é dividida ao meio pelo rio e são três acessos que ligam os dois lados. Na enchente da madrugada do dia 26 de janeiro duas pontes foram afetadas e em seguida interditadas. Ficou uma no centro, por sinal a mais movimentada, que no último domingo, dia 02 de fevereiro, por volta de 17h, não suportou ao volume de chuva de um novo temporal, e acabou cedendo em uma das suas cabeceiras” – relatou Waltinho, prefeito de Matipó.
Esse rompimento aconteceu depois que uma árvore de grande porte foi arrancada e caiu. A raiz da planta soltou inteira e promoveu o deslizamento de terra. Partes dessa árvore caíram dentro do rio e vários moradores foram ver de perto o que aconteceu, promovendo grande aglomeração nas ruas instantes depois do ocorrido. No primeiro momento foi necessária a interdição, mas em seguida teve a liberação em meia pista. “Uma equipe de engenheiros vistoriou a ponte e chegou à conclusão que apenas um dos lados foi afetado. Em 1985 também aconteceu uma enchente de grande proporção aqui em Matipó e danificou a antiga travessia que existia aqui. Na ocasião foi mantida uma parte e construída a outra. Nesse temporal de domingo apenas a parte antiga foi danificada e a mais nova permaneceu intacta. É como se fossem duas pontes ao lado uma da outra e isso nos permitiu manter a passagem de veículos em meia pista na estrutura que permaneceu”, explicou o prefeito.
O monitoramento e controle da travessia provisória tem sido constante. Inicialmente foi autorizada a passagem de um veículo de passeio por vez, agora já passam até cinco. Caminhões que excedem 20 toneladas ainda não estão autorizados a trafegar e a Polícia Militar tem estado por perto frequentemente, enquanto funcionários do município, devidamente caracterizados, controlam o fluxo no sistema pare e siga. “Mesmo com todo esse aparato a equipe de engenheiros tem monitorado dia e noite e emitindo laudos diários sobre a condição da ponte. Já entramos em contato com autoridades estaduais e federais que nos garantiram que estarão disponibilizando recursos emergenciais para que em um espaço de tempo bem curto possamos resolver o problema. Paralelo a isso, estamos acelerando o processo de liberação de uma outra ponte que já estávamos reformando, a fim de amenizar esse problema de acesso aqui dentro da cidade”, esclareceu Waltinho.
Matipó também continua lhe dando com a situação dos desabrigados e com a dificuldade de restabelecer o atendimento em algumas repartições essenciais para a população. Na enchente do final de janeiro a Policlínica Municipal, principal unidade de saúde do município, foi muito afetada e toda a documentação, móveis e medicamentos foram perdidos.
O CRAS – Centro de Referência em Assistência Social que funciona na mesma rua também perdeu tudo. “Dentro desse processo de reestruturação da cidade estamos tentando voltar à vida normal. Entendemos que aquelas pessoas que ainda estão em abrigos ou em casas de familiares só vão sentir essa normalidade quando puderem voltar para suas casas. É exatamente nesse contexto que a Coordenadoria Municipal Defesa Civil tem agido. Temos feito vistorias em muitos imóveis e infelizmente em alguns estamos tendo que condenar por conta de risco eminente aos moradores. Essas famílias que não tem condições de retornar estão tendo o suporte com o aluguel social, mas o trabalho de restabelecer a normalidade tem sido frequente”, disse Eduardo Moreira, Coordenador da Defesa Civil de Matipó.
Um grupo de empresários tem se reunido com a administração pública para tentar auxiliar nessa questão dos acessos. Muitos estabelecimentos comerciais foram atingidos e ainda estão em processo de recuperação. Outros que já conseguiram retornar às suas atividades encontram mais esse obstáculo com a queda parcial da ponte na região central. O fato é que todos os Matipoenses estão imbuídos nesse processo de reconstrução da cidade. Porém, diante dos estragos, fica a certeza de que leva tempo, mas vão conseguir.
Klayrton de Souza



