DestaquePe. José Raimundo (Mundinho)Reflexão

Reflexão: Uma Páscoa diferente!

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Na antiguidade, o rei Davi pensava em construir uma casa para o Deus de Israel. Não se conformava com a inexistência de um local para o culto. Talvez influenciado pelas religiões pagãs que dispunham de templos para seus deuses, também o Deus de Israel deveria ter o seu templo. Foi assim que sonhou com um grande templo, suntuoso em Jerusalém, no monte Sião (2Sm 7,1-3).

Mais tarde, Jesus se encontra com a mulher samaritana no Poço de Jacó e trava com ela um diálogo. A certa altura ela questiona: em que lugar devo adorar a Deus? Em Jerusalém como afirmam os judeus ou no monte Garizim, como manda meu povo samaritano? (Jo 4, 20).

Jesus responde: chegou a hora em que não adorarão o Pai, nem sobre esta montanha (monte Garizim) nem em Jerusalém (monte Sião). “Mulher, acredite em mim” (Jo 4, 21). 

Deus tem caminhos diferentes!

Estamos atravessando um momento crucial com a presença do Coronavírus (covid-19) nos ameaçando nas várias situações e espaços vitais. A Quarentena que nos é imposta está propiciando uma experiência ímpar de reflexão de nossa pequenez, de nossa fragilidade. Ao mesmo, nos empurrando para a vivência de outros caminhos, conhecidos até, mas deixado de lado no dia-a-dia, no corre-corre que a vida nos embala.  Criatividade é a ordem de comando numa situação limite. Até mesmo no universo religioso, quando militamos com certezas espirituais e doutrinais na ordem da fé somos obrigados a repensar a vivência de nosso cristianismo sempre pautado pela presença junto às pessoas e à comunidade. O nosso modo de expressar a fé sempre foi na liturgia das celebrações presenciais. Suportamos, com críticas agudas, as transmissões pela TV e pelo rádio. Quem imaginaria que em tempos atuais de século XXI viveríamos o âmbito da fé eclesial não mais reunindo o povo nos templos, nas igrejas (Matriz e Capelas), nas majestosas catedrais, mas nas casas, através das redes sociais, diante de um pequenino aparelho, o smartphone, celebrando e rezando real e virtualmente, com os fiéis internautas em suas residências mediante o exercício solitário e solidário da fé.

A Semana Santa em casa

O momento maior e mais significativo do cristianismo, sobretudo do catolicismo é a celebração do Mistério Pascal que culmina no tríduo, depois de uma quarentena preparatória da Quaresma. A liturgia da Semana Santa, que se inicia com o Domingo de Ramos, nunca foi vivida sem a presença do povo. É muito estranho para os fiéis e para os clérigos (bispos e sacerdotes) não contar com presença participativa do povo. 

Uma Semana Santa diferente nas residências e nas igrejas, no espírito e na comunhão, longe do contato, da proximidade das pessoas, do olhar contemplativo e dos passos silenciosos e compenetrados de uma procissão ou de uma caminhadas de fé.

A Páscoa será diferente! Distante do canto triste e choroso da Verônica ante a face ensanguentada  do Crucificado, sem testemunhar a alegria do fogo novo e abençoado que acenderá o Círio Pascal, o símbolo do Ressuscitado glorioso que rompeu as chaves da morte e tornou o mundo pleno de vida. 

A Páscoa será diferente! Talvez vibrando, com a cura de um irmão(ã) que sobreviveu ao terrível vírus, ou com a compensada e penosa quarentena que se transformou na única forma de proteção mediante o inimigo implacável. 

A Páscoa será diferente com a entrega de muitos e muitas na luta para não deixar vencer a morte, mas prevalecer a vida. O sacrifício de alguns salva a vida de multidões.  

A Páscoa será diferente porque autoridades do sistema de saúde (municipal, estadual e federal), profissionais da área, dos serviços essenciais, dos garis, dos caminhoneiros, da segurança pública, dos motoristas  e operadores do transporte público, dos cozinheiros(as), dos profissionais da comunicação, enfim de um grande grupo, sem a oportunidade de se protegerem, se debruçaram, destemidamente, a serviço da vida.

 Páscoa de 2020

No barco da vida, o Senhor desperta para acordar e reanimar a nossa fé      

            pascal experimentada na CRUZ de Jesus Cristo 

Na nossa cruz da Quarentena padecemos a falta de afetos, 

  de encontros e de tantas outras coisas para ouvir e sentir de novo   

  o anúncio de salvação:

Ele ressuscitou e vive em nosso meio, 

continua no barco de nossa vida.

Feliz Páscoa!

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