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Em tempos de Coronavírus médicos alertam para outros riscos à saúde

De uma forma repentina e assustadora o vírus da Covid-19 se alastrou pelo mundo e trouxe com ele grande preocupação com a saúde das pessoas. As várias medidas de isolamento social e as constantes orientações das principais autoridades sanitárias focam na prevenção e combate ao coronavírus, mas as outras doenças não deixaram de existir. Isso significa que o cuidado com a saúde vai muito além do uso de máscaras e álcool gel. É importante que a população permaneça vigilante e entenda a necessidade da prevenção contra outras alterações que podem surgir no corpo e em caso de alguma anomalia que seja diagnosticada no início. É o caso do câncer de próstata, que todos os anos mata muitos homens no país. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que para cada ano do triênio 2020/2022, sejam diagnosticados no Brasil 65.840 novos casos desse tio de câncer. Esse valor corresponde a um risco estimado de 62,95 casos novos a cada 100 mil homens. A estatística indica também que um em cada 9 homens será diagnosticado com câncer de próstata durante sua vida.

O câncer de próstata ocorre principalmente em homens mais velhos. Seis em cada 10 casos são diagnosticados em homens com mais de 65 anos, sendo raro antes dos 40 anos. A média de idade no momento do diagnóstico é de 66 anos. A doença é a segunda principal causa de morte por câncer em homens, atrás do câncer de pulmão. A cada 41 homens, pelo menos 1 morrerá de câncer de próstata. “O câncer de próstata pode ser uma doença grave, mas a maioria dos homens diagnosticados com a doença, não irão morrer por causa dela” – orientou o médico Urologista Rochester Batalha.

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). Em valores absolutos e considerando ambos os sexos, é o segundo tipo mais comum. A taxa de incidência é maior nos países desenvolvidos em comparação aos países em desenvolvimento.

A próstata é uma glândula que só o homem possui e que se localiza na parte baixa do abdômen. Ela é um órgão pequeno, tem a forma de maçã e se situa logo abaixo da bexiga e à frente do reto (parte final do intestino grosso). A próstata envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada. A próstata produz parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozoides, liberado durante o ato sexual. O aumento observado nas taxas de incidência no Brasil pode ser parcialmente justificado pela evolução dos métodos diagnósticos (exames), pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação do país e pelo aumento na expectativa de vida. “Alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte. A maioria, porém, cresce de forma tão lenta (leva cerca de 15 anos para atingir 1 cm³) que não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem. Mas para diminuir qualquer risco, a consulta médica e o exame são primordiais” – destacou o Urologista.

O exame de próstata é o famoso exame de toque retal no qual o médico urologista ou proctologista insere o dedo indicador no reto do paciente. Ele serve para investigar alterações sugestivas de câncer de próstata, hiperplasia prostática benigna (crescimento normal da próstata com a idade) e prostatite (inflamação da próstata). Além disso, o exame de toque retal serve para identificar lesões no ânus e no reto, como nódulos, hemorroidas ou fissuras e para avaliar problemas de micção. Por seu algo íntimo e gerar um certo desconforto, muitos homens deixam de lado a sua importância e se apegam a um preconceito retrógrado que pode determinar ou não a cura de uma doença da próstata. “Diferente do que muitos pacientes imaginam, o exame de toque retal é um teste simples, rápido e indolor e dura cerca de 1 minuto. Um exame de toque retal com resultado normal é aquele no qual o médico não detecta alterações na próstata, no reto e no ânus. Caso haja alguma alteração, o médico conversará com o paciente e solicitará exames complementares para estabelecer o diagnóstico. O exame de toque sozinho não é capaz de confirmar ou refutar o câncer de próstata” – esclareceu Dr. Rochester.

Por não haver, até o momento, evidências científicas de que a realização periódica do toque retal e dosagem de PSA em homens que não apresentam sintomas  possa produzir mais benefício que dano, o Instituto Nacional de Câncer recomenda que não se organizem ações de rastreamento para o câncer de próstata e que homens que queiram, espontaneamente , realizar  exames de rastreamento, sejam informados por seus médicos sobre os riscos e benefícios associados a esta prática, e a tomada de decisão seja compartilhada entre o profissional e seu paciente. “Para aqueles com história familiar de câncer de próstata (pai ou irmão) antes dos 60 anos, se recomenda realizar esses exames a partir dos 45 anos, entretanto, somente o médico pode orientar quanto aos riscos e benefícios da realização dos mesmos” – esclareceu Dr. Rochester Batalha.

As doenças que afetam o sexo masculino são um problema de saúde pública, não se restringindo apenas a doenças da próstata. A cada três mortes de pessoas adultas, duas são de homens. Eles vivem, em média, sete anos menos do que as mulheres e têm maior incidência de doenças do coração, câncer, diabetes, colesterol e pressão arterial mais elevada.

Klayrton de Souza com informações do INCA

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