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	<title>Pessoas em situação de rua &#8211; Tribuna do Leste</title>
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	<description>Há 50 anos levando informação para o Leste de Minas</description>
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		<title>Pesquisa revela diagnóstico de pessoas em situação de rua em Manhuaçu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[leonardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Dec 2024 14:45:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidade]]></category>
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					<description><![CDATA[Realizado por alunos do curso de medicina do centro universitário, um levantamento trouxe importantes informações sobre os moradores em situação de rua de Manhuaçu.  Os resultados da pesquisa foram encaminhados para a Prefeitura e a Câmara de Vereadores, visando contribuir com a elaboração de políticas públicas para esta população. Um estudo pioneiro conduzido pelo Núcleo &#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Realizado por alunos do curso de medicina do centro universitário, um levantamento trouxe importantes informações sobre os moradores em situação de rua de Manhuaçu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os resultados da pesquisa foram encaminhados para a Prefeitura e a Câmara de Vereadores, visando contribuir com a elaboração de políticas públicas para esta população.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um estudo pioneiro conduzido pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas da Situação de Rua (NESPSR), em parceria com alunos do curso de Medicina do Centro Universitário UNIFACIG, analisou a situação de rua em Manhuaçu, durante os meses de agosto e setembro de 2024.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pesquisa identificou 18 pontos de concentração na cidade e contabilizou 53 pessoas em situação de rua, com projeções indicando que esse número pode variar entre 53 e 80 devido a oscilações sazonais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O professor da disciplina de Atividade Extensionista do Curso de Medicina, Dr. Igor de Sousa, responsável pela iniciativa, informa que o documento foi enviado pelo Centro Universitário UNIFACIG, Prefeitura e Câmara Municipal para avaliação das autoridades e proposição de ações futuras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“O diagnóstico será essencial para que a sociedade e os agentes do Estado tenham a percepção sobre como atuar e que tipo de políticas públicas criar para a situação de rua. Sem diagnóstico não existe tratamento ou solução mágica”, afirma o professor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pesquisa revelou três perfis principais: </span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Pessoas em pobreza extrema, que vivem nas ruas permanentemente (26,1% dos casos); </span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Indivíduos em situação de dependência química, que alternam entre a casa e a rua devido a conflitos familiares (30,4%);</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Trabalhadores informais, como catadores, que utilizam a rua como meio de sustento, porém com menor uso de substâncias psicoativas (21,7%).</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">A pesquisa também mostrou que 89% dos entrevistados são homens, enquanto 11% são mulheres. A baixa escolaridade é predominante, com 42,9% tendo apenas o ensino fundamental incompleto e 14,3% sendo analfabetos. Em termos de saúde, 60% relataram problemas de saúde não tratados, enquanto o uso abusivo de álcool é comum, especialmente no primeiro grupo, onde 60% consomem bebidas diariamente.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tempo nas ruas, educação e trabalho</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A análise destacou que 38,1% dos entrevistados estão há mais de dois anos em situação de rua, demonstrando um enraizamento nas dinâmicas desse modo de vida. Em relação à escolaridade, a maioria tem apenas o ensino fundamental ou médio incompleto, com índices de analfabetismo entre 14,3% e 16,7%.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em termos de trabalho, o acesso ao mercado é afetado por fatores como higiene, preconceito, falta de documentação e ausência de uma moradia fixa. Apenas 40% dos moradores de rua permanentes (perfil A) conseguem algum tipo de trabalho, enquanto nos perfis B e C esse percentual sobe para 71,4% e 100%, respectivamente.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segurança alimentar e saúde</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em relação à segurança alimentar, o perfil A é o mais vulnerável, alimentando-se apenas uma ou duas vezes ao dia. No perfil C, apesar do trabalho informal, longas jornadas nas ruas comprometem a alimentação, enquanto o perfil B apresenta os melhores índices de refeições diárias devido à presença de uma moradia mais estável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No quesito saúde, uma grande parte dos entrevistados em todos os perfis relatou problemas, mas o acesso ao sistema de saúde é limitado. A vacinação contra a COVID-19, por exemplo, foi menos frequente entre o perfil A. O alcoolismo é comum nos perfis A e B, embora muitos indivíduos não se reconheçam como dependentes.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exposição à violência</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A exposição à violência diminui conforme o indivíduo possui algum tipo de moradia e não utiliza substâncias psicoativas. O perfil A, que vive nas ruas e faz uso de drogas, é o mais vulnerável (60%), seguido pelo perfil B (42,9%) e pelo perfil C (16,7%). Já a violência patrimonial afeta especialmente o perfil A, onde 80% dos entrevistados relataram ter seus pertences confundidos com lixo.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diretrizes propostas para políticas públicas</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pesquisa destaca que a situação de rua em Manhuaçu é resultado de uma complexa combinação de fatores econômicos, sociais e de saúde. Abordagens integradas e políticas públicas inclusivas são fundamentais para transformar essa realidade, garantindo dignidade e direitos humanos para todos. Este diagnóstico será uma base crucial para debates e a criação de políticas que realmente façam a diferença na vida dessas pessoas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para tanto, o estudo também apresentou uma série de recomendações para políticas públicas, incluindo:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Tratamento de dependência química com foco na redução de danos e na criação de redes intersetoriais envolvendo a comunidade e o terceiro setor;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Realização de campanhas contra a esmola nas ruas;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Facilitação do acesso a serviços psiquiátricos desburocratizados para usuários de álcool e outras drogas;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Democratização do acesso à saúde, mesmo sem documentação como o Cartão SUS ou comprovante de residência;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Reformulação do sistema de acolhimento, como albergues, priorizando a individualidade, condições de higiene e redução do controle disciplinar;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Equipes multidisciplinares como o projeto “Consultório na Rua” para ampliar o acesso à saúde;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Capacitação profissional e ações de inclusão no mercado de trabalho, especialmente para o perfil C, que necessita de qualificação e apoio para melhorar suas condições de renda.</span></li>
</ul>
<p><i><span style="font-weight: 400;">(Thomaz Júnior, com informações do Centro Universitário UNIFACIG)</span></i></p>
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