Há um mês (02.03.2022) despedimo-nos da presença física da Professora Doutora Eneida Maria de Souza, manhuaçuense, professora emérita da UFMG, escritora, conferencista, cidadã brasileira, prestigiada em todo o campo acadêmico de nosso país e do mundo. Sobre sua trajetória ilustre, muito se escreveu e, ainda, se dirá, mas, hoje, quero falar da ENEIDA. Simples assim. Assim como sempre foi e será a pessoa que conheci.
Há muitos anos, quando eu fazia um Exame de Seleção para contrato de aulas extras na E. E. Maria de Lucca, preparando uma aula para a Banca Examinadora de doutores da UFMG, sem que eu pedisse, foi ela ao meu encontro levando livros e, especialmente, ideias atualíssimas sobre Almeida Garrett, autor sorteado para minha aula de literatura.
Vi nela, naquele instante, a figura bondosa de sua mãe, dona Lilita, minha professora de português e inspiradora da carreira que abracei.
SIMPLES, HUMANA, SOLIDÁRIA E CULTA. Imagino quantas atitudes e gestos dessa natureza povoaram o dia a dia de ENEIDA. Há três anos, indo a VILLA SYLVIA conversar com Cibele, Leila e Eduardo Bazém sobre Antônio Julião, meu patrono na Academia Manhuaçuense de Letras, lá estava ela e seu precioso tempo assessorando nossa conversa.
Dói-me muito o interromper da vida terrena de pessoa tão rica de conhecimento e generosidade no momento em que nosso país tanto necessita de quem o pense, como Eneida o pensava: “O antigo centro letrado das cidades acolhe hoje, de forma brutal, a periferia que não passeia pelas ruas, mas que se oculta e se perde no comércio perverso dos signos e das mercadorias falsas”. São as palavras-ideias que encerram seu livro Pedro Nava, o risco da memória, de 2004.
No mesmo livro, ENEIDA diz: “O cenário pós-urbano do Rio de Janeiro perde [Pedro Nava] um dos maiores defensores da revitalização da cidade, uma saída possível para se recompor os já então perdidos ideais de cidadania”.
Aquiete-se, ENEIDA. Inspirados em você, havemos de prosseguir honrando VILLA SYLVIA, o belo casarão tombado pela generosidade e altruísmo de sua família e em busca dos “ideais de cidadania” para que a periferia passeie pelas ruas sem as fakes.
Celeste Fraga



