Após um vídeo viralizar nas redes sociais, filmado por um trabalhador rural em uma lavoura de café, dizendo estar passando fome, juntamente com seus colegas de trabalho que vieram da Bahia para Minas Gerais para atuar na colheita de café, a situação foi levantada pela Polícia Civil de Minas Gerais.
Na gravação, o trabalhador que realizou a filmagem cita uma lavoura, localizada no município de Ipanema, onde os trabalhadores estariam sem receber alimentação corretamente.
No entanto, segundo levantamento feito pelo Delegado Alfredo Serrano, titular da Delegacia de Ipanema, que faz parte da regional de Caratinga, foi certificado que a lavoura e a propriedade rural não estão localizadas em Ipanema, mas sim que ficariam em Chalé, no Distrito de Penha do Coco.
Ainda de acordo com o Delegado Alfredo Serrano, é provável que os trabalhadores tenham chegado em Ipanema, vindos da Bahia, de onde seguiram para a região de Penha do Côco, por isso a referência à cidade. Lembrou que a atribuição para apuração do crime de redução à condição análoga à de Escravo é da Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho e Auditoria Fiscal do Ministério do Trabalho.
Em contato com o Delegado Henrique Rabello, da Delegacia de Lajinha, que faz parte da Regional de Manhuaçu e é responsável pela cidade de Chalé, ele informou que foram realizadas diligências imediatas com a qualificação do proprietário da lavoura em que foi realizada a denúncia e a verificação de cessação da suposta atividade ilícita.
Segundo o delegado Henrique, o responsável pela lavoura afirmou que os fatos não são verídicos e que foi providenciada alimentação e local adequado para alojamento dos trabalhadores que estavam em sua propriedade na atuação de colheita de café.
No entanto, disse que os trabalhadores não se adequaram à tipologia da região, com lavoura em aclive, bem como não estariam satisfeitos com o intermediário que providenciou os serviços, pois não teria repassado de fato a realidade do trabalho a ser prestado, tanto pela quantidade quanto pela dificuldade de execução.
Segundo o proprietário rural que recebeu a mão de obra, devido à insatisfação demonstrada pelos contratados, foi providenciado imediato retorno deles aos respectivos lares com os pagamentos devidos pelos serviços até então prestados.
Além de ouvir o responsável pela lavoura, em diligência no local a Polícia Civil não encontrou evidências de conduta delitiva conforme denúncia formulada em redes sociais. O Delegado Henrique Rabelo destacou que os levantamentos terão continuidade na região para a verificação de eventuais práticas criminosas análogas, visando dessa forma impedir bem como prevenir possíveis atividades típicas de trabalho escravo no período de colheita de café na região.
Repórter: Júlio Oliveira



