Emater projeta safra de 2026/27 muito positiva para cafeicultura de Manhuaçu
A Companhia Nacional de Abastecimento estima que, em 2026, Minas Gerais apresente safra recorde na cafeicultura. A projeção para o estado chega a 66,2 milhões de sacas neste ano, número superior às 63,1 registradas na maior safra até então, em 2020.
Em Manhuaçu, as expectativas acompanham o cenário apontado pela Conab. Segundo o extensionista rural da Emater, Cristiano Silva, a estimativa se baseia nos sinais positivos das lavouras mineiras, mas ainda não indica um recorde de produção como o de 2020. De acordo com ele, os últimos anos foram difíceis, principalmente em relação ao clima. Em 2026, os produtores registraram boa florada, que, aliada a condições climáticas mais equilibradas, tem contribuído tanto para a granação dos grãos quanto para o crescimento dos ramos voltados à produção de 2027, o que gera expectativa também para o próximo ano.
Cristiano explica ainda que, quando as chuvas ocorrem no período de maior desenvolvimento vegetativo do café, associadas à umidade, luminosidade, temperaturas elevadas e boa fertilidade, formam-se os principais fatores para a expectativa positiva da safra em Minas Gerais.
Sobre a safra de 2026, o extensionista afirma que ainda é cedo para preocupação com a qualidade dos grãos em razão de um possível aumento da produção, já que, até o momento, o café apresenta bom desenvolvimento e características de qualidade, como doçura, granação correta e bom tamanho de peneira.
Mercado
Segundo Cristiano Silva, a preocupação em relação à previsão para a safra está relacionada à alteração de preços que já vem acontecendo: “Só que o que a gente não esperava é sofrer esses impactos com cálculos futuros já sendo feitos. Então, essa produção está incipiente ainda, não é garantida, e o mercado já precificou com uma redução grande nos preços. Então, é uma preocupação sim.” afirmou. Com valores girando em torno de R$ 1.700 na data de hoje, R$ 1.800, o setor está em alerta para possíveis quedas no mercado que possam reduzir a margem de lucro ou até mesmo obrigar o produtor a trabalhar abaixo do seu custo.
Preparação dos produtores
Em Manhuaçu, os cafeicultores vêm se preparando para a produção, com renovação de áreas, realizando plantios em áreas anteriores e melhorando a estrutura das lavouras com tratos mais adequados. O investimento, principalmente na secagem do café, com a construção de terreiros e a compra de equipamentos de transporte e secagem, tem contribuído para uma atividade mais segura e competitiva, capaz de se sustentar mesmo em momentos difíceis: “Nós estamos construindo, eu acho que em Manhuaçu, uma cafeicultura muito competitiva. Existe alguma preocupação em relação à qualidade do grão” explica Cristiano.
Apesar da volatilidade do mercado e das reações em decorrência da expectativa de uma supersafra em Minas Gerais, a avaliação da Emater para Manhuaçu é positiva. Mesmo que a produção enfrente dificuldades, a equipe da instituição acredita que o cafeicultor manhuaçuense está preparado para aproveitar as oportunidades que o mercado tem a oferecer.
Lorena Correia – Tribuna do Leste



