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Setembro Amarelo destaca importância da escuta e da presença

O Setembro Amarelo de 2026 tem como tema “Escutar é Estar Presente”. A campanha de valorização da vida deste ano incentiva a presença e a conexão como formas de prevenção ao sofrimento psicológico, destacando a importância de ouvir, acolher e estar disponível para quem precisa de apoio.

Segundo a psicóloga Juliana Firmino, o tema é importante em uma sociedade cada vez mais virtual. Ela explica que a campanha convida as pessoas a terem uma escuta genuína, em um período marcado por rotina acelerada, distrações e relações humanas cada vez mais mediadas pela tecnologia.

De acordo com Juliana, pessoas que enfrentam sentimentos de angústia e solidão podem se sentir sem um espaço seguro para falar sobre o que estão vivendo, “Em uma época onde as pessoas estão com a rotina acelerada, distrações e as relações humanas estão cada vez mais mediadas pela tecnologia, ouvir alguém tornou-se um grande desafio e, ao mesmo tempo, pessoas com sentimento de angústia, de solidão, sentem-se sozinhas e sem um espaço seguro para falar sobre os seus sentimentos, né?” explica Juliana.  Para ela, estar presente e ouvir são atitudes importantes para ajudar quem passa por um momento difícil.

Juliana também destaca que a tecnologia e as redes sociais facilitaram o contato entre as pessoas, mas também contribuíram para o distanciamento do contato presencial. Segundo ela, estar atrás de uma tela pode gerar menos desconforto na comunicação e ao falar sobre determinados assuntos, fazendo com que as pessoas se acomodem e fiquem mais isoladas.

A psicóloga indica ainda alguns sinais de sofrimento psicológico podem ser percebidos por familiares e amigos, segundo a psicóloga. As mudanças podem aparecer no comportamento, na fala e nos sentimentos. Entre os sinais de alerta estão frases como “eu não aguento mais”, “eu vou sumir” e “eu sou um peso para os outros”. Mudanças repentinas de comportamento, como o afastamento de amigos, familiares e de atividades que antes proporcionavam prazer, também podem indicar um momento de sofrimento. A desmotivação com o trabalho e os estudos e o descuido com a aparência pessoal também são apontados como sinais de alerta.

Para criar um ambiente seguro para a conversa, Juliana orienta que a escuta seja praticada no dia a dia. É importante separar um momento para ouvir a pessoa, evitar fórmulas prontas e não interromper. O acolhimento e a oferta de apoio também fazem parte desse processo, assim como o incentivo à busca por ajuda especializada, com psicólogo ou psiquiatra.

A psicóloga afirma ainda que a prevenção do suicídio envolve a sociedade como um todo, incluindo família, amigos e ambientes de trabalho, “ A prevenção, ela envolve todos nós, afinal, a saúde mental é uma responsabilidade coletiva. Então, precisamos estar atentos às mudanças, seja mudança de comportamento, mudança na fala ou sentimento que a pessoa está demonstrando.” 

Familiares ou amigos que reconheçam sinais de alerta, a recomendação é conversar, oferecer apoio sem julgamentos, mas também orientar a busca por ajuda especializada seja na rede privada, com psicólogos e psiquiatras, ou no setor público, por meio das unidades básicas de saúde. Nesse caso, a consulta com o clínico geral é a porta de entrada, e o profissional pode realizar uma avaliação e, quando necessário, encaminhar o paciente para psicólogos e psiquiatras da rede municipal.

Lorena Correia – Tribuna do Leste

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